Rebelião em Cuiabá pode terminar na madrugada

A rebelião no presídio do Carumbé, em Cuiabá, que já dura mais de 50 horas, poderá chegar ao fim na madrugada deste domingo com a libertação dos 139 reféns que são mantidos pelo 368 presos rebelados desde às 15 horas de quinta-feira. Entre quinta e sexta-feira 29 pessoas - 22 mulheres e 7 crianças foram liberadas. A informação é de um detento identificado apenas pelo apelido de Gelo e que concedeu rápida entrevista à Agência Estado por telefone celular.A partir de segunda-feira será aberto inquérito administrativo contra o diretor Elpídio Onofre Claro que, segundo os presos rebelados estaria praticando atos de tortura e maus tratos. O diretor reitera que as acusações são infundadas.No início da noite as negociações foram suspensas. Não há fornecimento de alimentação e nem energia elétrica. Apenas água e atendimento médico às vítimas e presos estão sendo concedidos. Os presos querem a exoneração do diretor, revisão de penas que estariam vencidas, assistência médica e melhorias na infra-estrutura do prédio. Os rebelados aceitam conversar apenas com o deputado estadual Gilney Viana (PT), da comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. Viana está desde quinta-feira negociando com as secretarias de Segurança Pública, Justiça, Ministério Público e juízes para tentar pôr fim à rebelião. Entretanto, as exigências dos presos não estão sendo atendidas. Pelos menos cinco parentes de presos entrevistados pela Agência Estado confirmaram que a rebelião havia sido planejada para ocorrer na quinta-feira, dia de visitas. A assessoria de comunicação da Polícia Militar confirmou que a quantidade de alimentos levados pelos familiares foi acima dos dias anteriores. "Temos comida até terça-feira", assegurou o detento identificado como Gelo. Hoje à noite dezenas de familiares fazem uma espécie de ´vigília´ para a liberação dos reféns. "Muita gente sabia que os presos iam fazer essa rebelião, mas muitos familiares foram coniventes com a situação e aceitaram passar o feriado prolongado com os presos", disse um pastor da Assembléia de Deus, que pediu para não ser identificado.Rondonópolis - O clima também é tenso no Presídio de Segurança Máxima da Mata Grande em Rondonópolis, distantes 220 quilômetros de Cuiabá, sul do Estado. Hoje foi localizado um túnel com 15 metros de extensão que seria utilizado para uma fuga em massa dos 160 presos abrigados no local. Na última quarta-feira os presos anunciaram a jornalistas e ao deputado Gilney Viana que poderia haver rebelião. O motivo seria a exoneração do diretor Ademar Pereira, e a recontratação de Oséias Alves Ferreira, ex-diretor do presídio.

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