Rebeldes do PMDB resistem e devem dificultar CPMF

Após jantar na casa do líder do partido, senadores voltam a demonstrar insatisfação com nomeações e cargos

Christiane Samarco,

03 de outubro de 2007 | 15h16

Acabou em clima de rebelião contra o governo a reunião da bancada de senadores peemedebistas, realizada na última terça-feira à noite na casa do líder do governo no Senado, senador Valdir Raupp (RO), e convocada para os senadores afinarem o discurso e acalmarem os ânimos, acirrados desde semana passada, quando 12 peemedebistas votaram a favor da extinção da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, vinculada à Presidência da República.  Os senadores do PMDB deixaram claro que não será nada fácil para o governo aprovar a emenda constitucional que prorroga até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).  Na reunião, de acordo com informação de participantes à Agência Estado, nem o senador José Sarney (AP), um dos mais fiéis aliados do Palácio do Planalto, defendeu o governo, e vários outros senadores se queixaram muito do PT e levantaram a suspeita de que o partido estaria trabalhando para tomar do PMDB a presidência do Senado, que está em mãos do senador Renan Calheiros (AL). Essa pressão foi compensada pelo grupo de Renan, que pressionou Raupp no sentido de facilitar a vida do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a emenda da CPMF vai começar sua tramitação no Senado, e exigiram que o líder retire da CCJ os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), adversários do governo, e os substitua por dois outros senadores peemedebistas mais afinados com o governo. Ainda na avaliação de Raupp, o partido na Câmara dos Deputados é mais bem atendido do que no Senado. Para Raupp, a definição rápida do ministro das Minas e Energia ajudaria a resolver a situação. Indicado pelo PMDB, o ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau pediu demissão do cargo no dia 22 de maio, após ser envolvido nas investigações sobre o esquema de desvio de recursos públicos desarticulado pela Operação Navalha, da Polícia Federal. O secretário-executivo da pasta, Nelson Hubner, assumiu o comando do ministério interinamente.  'Levante'  O senador Garibaldi Alves Filho (RN), no início do encontro, chegou a pensar que se tratava mesmo de uma reunião para contemporizar com o governo. "Mas, de repente, veio o mesmo levante da reunião passada", disse Alves Filho, referindo-se ao encontro em que ele e onze senadores rebeldes decidiram derrotar o governo votando contra a MP que criava a Secretaria de Longo Prazo. Em meio à reclamação geral contra o Palácio do Planalto, Sarney disse que, entre os presidentes da República com os quais manteve relação política, Lula é o que melhor o tratou, mas advertiu:  "Eu quero desmistificar uma coisa. Dizem muitos que eu indiquei (pessoas para) vários cargos, nomeei muitas, mas não é assim. Se vocês quiserem, agora mesmo eu faço a transferência dos meus cargos para vocês." Sarney se queixou da demissão de Silas Rondeau do cargo de ministro de Minas e Energia, a qual, segundo o senador, "foi uma injustiça muito grande" que o próprio governo se comprometeu a corrigir, "mas, até agora, nada." Na reunião, o primeiro-vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Aloizio Mercadante (PT-SP), foram muito criticados. Ficou acertado que todas as queixas contra a dupla e contra o PT em geral serão levadas ao presidente Lula. Houve queixas também pela demora no preenchimento de cargos federais e pela demissão de afiliados de peemedebistas, substituídos por petistas.   Foi citado o caso do líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que participava da reunião: a mulher de Jucá, Tereza, perdeu a disputa pelo governo de Roraima e até hoje não foi nomeada para nenhum cargo federal. "E você nada faz, diante disso?", perguntou um senador a Jucá. O líder respondeu: "Não. Nesses casos, é melhor a gente operar com pragmatismo."  (Com Agência Brasil)

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