Reale Júnior diz que Fernando Henrique está "esquecido"

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse, nesta quarta-feira à noite, ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que ?lamenta o esquecimento do presidente?, referindo-se a carta que Fernando Henrique Cardoso encaminhou a ele sobre o episódio da intervenção no Espírito Santo.?Lamento que o seu esquecimento o faça escrever uma carta que não corresponde à verdade?, retrucou Reale Júnior. Ao ser indagado sobre a observação do presidente de que fora traído, o ex-ministro declarou: ?Acho que, acima do interesse público, às vezes, existe uma questão ética; ela se sobrepõe ao ideal, ao sonho, e a ela me submeto?.Reale Júnior foi recebido em Congonhas, às 21 horas, por um grupo de cerca de 40 delegados e agentes da Polícia Federal que o aplaudiram demoradamente. Os federais fizeram um ato de desagravo e chamaram Reale Júnior de ?verdadeiro amigo da PF?.O ex-ministro estava acompanhado do delegado Marcelo Itagiba Franco, superintendente da PF no Rio, e futuro diretor-geral da corporação, se o candidato José Serra (PSDB) for eleito. Ao dizer que Fernando Henrique ?está esquecido?, o ex-ministro disse que, no dia 30 de maio, depois de uma audiência com o presidente da OAB, Rubens Approbato, encontrou-se com o presidente da República.?Nessa audiência com Fernando Henrique, tratei do problema do Espírito Santo e perguntei a ele se concordava com a intervenção, porque a OAB entraria com a representação desde que houvesse sinal verde do presidente?, relatou Reale Júnior. ?Neste dia, o presidente da República deu o sinal verde; quando saí da audiência, liguei para o Approbato e disse a ele que Fernando Henrique havia dado a sua aprovação para a representação pela intervenção.?Segundo Reale Júnior, a audiência com Fernando Henrique ocorreu às 16 horas daquele dia. ?O presidente anuiu.? Sobre a decisão do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o ex-ministro disse não ter condições de explicar seus motivos. ?São indagações escatológicas que não cabe a um próprio mortal fazer.?

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