Reale Jr. promete postura "isenta" da PF na eleição

O novo ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, assumiu o cargo garantindo que comandará um trabalho independente e exigirá que a Polícia Federal mantenha uma postura "isenta" em relação ao processo eleitoral. "Como a PF é obrigatoriamente um agente da Justiça Eleitoral, haverá um empenho mais absoluto para garantir a isenção no processo eleitoral", afirmou. Com essa posição, Reale Júnior quis rebater as insinuações de que a Polícia Federal poderá se transformar num instrumento político do candidato à Presidência da República pelo PSDB, senador José Serra (SP). Segundo suplente de Serra, ele também saiu em defesa de seu antecessor, o deputado Aloysio Nunes Ferreria (PSDB-SP), rebatendo as críticas da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), nas quais ela acusa o PSDB e o próprio Aloysio de terem patrocinado a operação da PF no escritório de sua empresa, a Lunus Serviços e Participações, no Maranhão. "O STJ (Superior Tribunal de Justiça) já decidiu que a operação feita no Maranhão é absolutamente regular. Não houve arbitrariedade ou qualquer ilegalidade. Portanto, não houve ação política. A ação foi determinada pela Justiça", afirmou Reale. Advogado e professor de direito penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Reale é o oitavo ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que o fato de ser suplente de Serra não atrapalhará seus planos de fazer uma gestão independente nos últimos oito meses de governo. "Eles lembraram que sou segundo suplente de Serra quando assumi o Ministério da Justiça. Até agora, esse fato era absolutamente desconhecido. E nunca fui lembrado por ser suplente de Serra", argumentou.Para mostrar que seu trabalho será baseado na independência política em relação às disputas eleitorais, Reale lembrou que fez parte da comissão de ética do Executivo. Uma das decisões foi determinar que os ministros não poderão participar das campanhas eleitorais. "Antes eu era fiscalizador, agora serei fiscalizado."Entre suas prioridades no cargo, Reale Júnior disse que está a prevenção à criminalidade, dentro do plano de combate à violência. "Ontem conversei com o presidente e disse que era importante o governo priorizar a prevenção, conjugando os esforços da Justiça, Ministério Público, advogados e sociedade civil", declarou. Crítico dos projetos de lei que modificam a Constituição para unificar os comandos das polícias Civil e Militar, ele afirmou que o trabalho conjunto das duas forças policiais só será possível depois da conclusão do processo de formação única de seus agentes. "A unificação não se faz por lei, de cima para baixo, ou seja, mudando a Constituição, e sim de baixo para cima. A unificação se dá por meio de uma estreita relação entre as polícias e um trabalho de formação conjunto", afirmou Reale, que foi secretário de Segurança Pública de São Paulo de 1983 a 1984, no governo de Franco Montoro. O novo ministro garantiu que vai trabalhar para que seja aprovado no Congresso um projeto de lei que restrinja o porte de armas no País.

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