Reajuste pela inflação seria mais razoável, afirma Suplicy

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que considerava mais razoável que a Mesa Diretora da Câmara e do Senado tivessem concedido um reajuste salarial para os deputados e senadores levando em consideração a inflação acumulada nos últimos quatro anos, que segundo ele seria de 28,5%, e aumentaria os salários dos atuais reais R$ 12.700 para R$ 16.500. "Avalio que esse reajuste a população poderia compreender como algo razoável para a remuneração dos parlamentares", disse, ao participar nesta sexta-feira do seminário "Reforma Política e Cidadania", promovido pela Fundação Perseu Abramo. Segundo ele, há um grande número de parlamentares que se dedicam de forma intensiva ao trabalho no Senado e na Câmara, porém, o reajuste de 91%, que equiparou seus salários à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), embora permitida pela Constituição, foi considerado "exagerado" pelo senador. "Do ponto de vista do que acontece com a população e os trabalhadores em geral e considerando que o próprio Congresso tem dado aumentos ao salário mínimo, procurando recuperar seu valor de uma maneira mais condizente com as necessidades do País, acredito que nós, congressistas, deveríamos ter uma atitude de responsabilidade, até porque a reação da opinião pública, como já era de se esperar, está sendo muito forte", opinou. Suplicy disse que irá recomendar à Mesa Diretora que volte a se reunir na semana que vem e reconsidere o reajuste concedido aos parlamentares. "Os mesmo membros da Mesa, que ontem se reuniram para decidir o reajuste, podem perfeitamente, depois de ouvir os sentimentos da população sobre a decisão tomada, repensar o assunto", avaliou. Na avaliação de Suplicy, muitos parlamentares da Mesa ao decidir sobre o reajuste de 91% pensaram: "vamos tomar essa decisão, vai haver uma grande grita por dois ou três dias, mas depois o assunto já será outro". Para ele, entretanto, se houver por parte da população um forte sentimento de indignação, considerando os ajustes concedidos para a maior parte da população e para o salário mínimo, e levando-se em conta ainda a preocupação do governo, que teme um efeito cascata deste reajuste em outros setores do Poder Legislativo, é possível que a Mesa Diretora modifique a decisão. Ele evitou criticar os presidentes da Câmara e do Senado, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), e os líderes do PT na Câmara e no Senado, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Ideli Salvatti (PT-SC), que participaram da reunião que decidiu pelo aumento. Suplicy disse ainda que se a decisão não for revertida deverá haver diminuição da verba que cada parlamentar pode gastar mensalmente em seu gabinete, para compensar o aumento de gastos com o reajuste. Também presente ao evento, o ministro Luiz Dulci, Secretário Geral da Presidência da República, evitou comentar a decisão dizendo que não está diretamente ligado ao assunto e que este não é seu papel dentro do governo federal. "O governo manifestará sua posição sobre o aumento através dos ministros que cuidam dessa relação com o Parlamento, que não é o meu caso", limitou-se a dizer. Já o presidente da Câmara, o deputado Aldo Rebelo, não quis falar com a imprensa.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 12h51

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