Reajuste para Judiciário não é 'exagero', diz Peluso

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Cézar Peluso, insistiu hoje na necessidade de reajustar salários dos servidores do Judiciário mesmo depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar cortes no orçamento para 2011 e falar em adiar qualquer aumento para os funcionários da Justiça. Ele afirma que a reivindicação não tem nada de "espetaculoso ou de exagero".

MARCELO AULER, Agência Estado

07 Dezembro 2010 | 19h23

Peluso, que disse não ter lido os jornais nem ter tomado conhecimento das declarações do ministro Mantega, classificou de "pura invenção" quando dizem que "o Judiciário quer um aumento de 56%". "Não sei de onde retiraram este número mágico", comentou.

Pelas suas explicações, a necessidade do reajuste está no fato de diariamente ele assinar exoneração de funcionários do Supremo que vão para cargos semelhantes no Executivo e no Legislativo para ganhar muito mais. "É isto que temos que tentar consertar", disse.

No entanto, o ministro do STF afirma que a reivindicação não é para ser atendida de uma única vez. "Queremos, dentro das possibilidades orçamentárias - e ninguém quer impor ao País um esforço extraordinário para dar um aumento -, fazer o que é possível ao longo do tempo para permitir que estes cargos que exercem funções análogas nos três Poderes tenham remuneração análoga", diz.

"Não precisa ser igual, mas que permita que o Judiciário também consiga reter os seus quadros de maior excelência, sem serem atraídos pelos melhores salários de outros Poderes. Não tem nada de espetaculoso, nem de exagero", completa.

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