Dida Sampaio/Estadão
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Reações de Bolsonaro e Mourão têm viés autoritário, dizem líderes de atos pró-democracia

Presidente chamou manifestantes de 'marginais' e 'terroristas'; Hamilton Mourão classificou participantes como 'baderneiros'

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 21h42

Após o presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão criticarem grupos que realizaram atos contra o governo e levantaram a bandeira do antifascismo, líderes de movimentos pró-democracia classificaram ambas reações como autoritáriasBolsonaro chamou manifestantes de “marginais” e “terroristas”. O vice classificou os participantes desses protestos como “baderneiros”, em artigo publicado ontem no Estadão.

“As declarações são próprias de figuras políticas que não sabem viver com o contraditório”, disse Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Para ele, as reações podem fazer os próximos atos terem mais adesão a quem se opõe ao governo de Bolsonaro. “(Os comentários) revelam justamente aquilo que preocupa os manifestantes: a postura antidemocrática do presidente. Cada vez que ele assume um comportamento autoritário ele reforça essa necessidade que as pessoas veem de defender a democracia e agir pra impedir um fechamento de regime.”

Novos atos estão sendo chamados por grupos ligados a torcidas de futebol, agora engrossados pela Frente Povo sem Medo, organização que reúne movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda. Em São Paulo as manifestações estão agendadas para o início da tarde na Avenida Paulista. O governo estadual proibiu atos rivais (contra e a favor de Bolsonaro) simultâneos na capital.  Há manifestações já agendadas também no Rio, Salvador, Belo Horizonte e outras cidades.

“Manifestações em defesa da democracia seguem um direito constitucional. Terrorista deveria ser considerado quem faz manifestação em defesa do AI-5 e da tortura. As declarações mostram apenas mais um face de um governo autoritário”, afirmou Josué Rocha, da coordenação nacional da Frente Povo Sem Medo, organização que reúne movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda.

Um dos líderes do movimento Somos Democracia, Danilo Pássaro falou sobre o artigo de Mourão. “Ao contrário do que diz o vice-presidente, são os apoiadores do governo que expõem seus revólveres e armas. Nossa força não está na violência, está na construção da unidade nacional pela democracia”. Corinthiano, ele ajudou a organizar o ato realizado na Avenida Paulista no domingo, 31, com a participação de torcedores de diversos times de futebol.

Próximos atos

Os próximos atos também devem incorporar a pauta antirracista, que ganhou força nos últimos dias após a morte de George Floyd, um homem negro que teve seu pescoço prensado contra o chão por um policial branco. O movimento ganhou também as redes com hashtags #BlackLivesMatter (#VidasNegrasImportam). Josué informa que a Frente Povo Sem Medo criou uma brigada de saúde que estará nos atos para distribuir álcool gel, máscaras e fornecendo informações sobre formas de se prevenir da covid-19, como o distanciamento entre manifestantes.

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