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Reação a Renan

Enquanto a campanha pela presidência da Câmara transcorre em meio ao barulho dos atritos entre PT e PMDB, no Senado a atmosfera é silenciosa, mas nem por isso pacífica.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2015 | 02h04

Calado em público a fim de não chamar atenção para seus notórios desacertos, o presidente da Casa, Renan Calheiros, vai consolidando a candidatura à reeleição. Ao mesmo tempo e também de modo discreto, o senador Aécio Neves articula uma aliança entre partidos de oposição em apoio a um candidato para tentar impedir que Calheiros presida o Senado pela terceira vez.

O nome mais provável é o do senador Ricardo Ferraço, do PMDB do Espírito Santo. E por que do PMDB e não do PSDB ou mesmo o próprio Aécio? Porque os pemedebistas têm a maior bancada (19 senadores a partir de 1.º de fevereiro) e, com isso, a primazia de eleger o presidente.

Como Ferraço integra a ala do partido não alinhada ao Palácio do Planalto, dispõe da credencial de cumprir a regra e também está apto a receber votos de oposicionistas. Com a "vantagem" (sob a ótica da oposição) de criar cizânia no PMDB.

Ademais, nessa altura a Aécio Neves interessa mais atrair apoios, posicionar o PSDB em campo político de oposição com vista a dar consequência ao resultado eleitoral de 2014 e já com olhos no horizonte das próximas eleições, do que entrar pessoalmente numa disputa perdida para a presidência do Senado.

"Já votamos contra o Renan uma vez e vamos votar de novo", diz ele, referindo-se à legislatura anterior. A ideia é reunir todos os partidos não governistas e mais os dissidentes dos aliados ao Planalto. Há votos suficientes para ganhar? "Ainda que não tenhamos, vamos deixar claro que temos posição."

O mesmo critério se aplica ao posicionamento do PSDB em relação à disputa na Câmara. Embora seja presidente do partido, Aécio aborda o assunto com cautela pelo fato de ser senador. "Não posso dizer como os deputados devem votar." Mas, do ponto de vista da política partidária, na opinião dele o ideal seria o apoio ao deputado Júlio Delgado, do PSB.

Em tese, para o PSDB, inimigo declarado do PT, o melhor dos mundos seria a vitória do deputado do PMDB Eduardo Cunha, desafeto e potencial criador de dificuldades para o governo. Aécio concorda parcialmente com a premissa. Acha que são dificuldades que obedecem a uma lógica de aliados. "O PMDB é governo, nós somos oposição."

Além disso, a recomendação dos votos dos deputados em Delgado seria um gesto de reciprocidade ao apoio do PSB na eleição presidencial. Mais, uma perspectiva de alianças nas municipais de 2016, em ritmo de preparativo para 2018.

"Os próximos dois anos serão muito difíceis para o governo. Os cortes de gastos atingirão os municípios, o que significa que temos expectativa de um bom desempenho eleitoral e de sair da disputa das prefeituras 'embicados' para cima e o governo para baixo", diz Aécio, obviamente já olhando na direção de 2018.

Campos de guerra. O PSDB decidiu buscar na polícia e na Justiça reparação à citação do senador eleito Antonio Anastasia no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. O advogado contratado pelo tucano vai pedir que o policial que disse ter entregado a ele dinheiro por ordem do doleiro Alberto Youssef confirme a declaração na presença de Anastasia, a fim de esclarecer se houve engano ou intenção deliberada de envolvê-lo.

A ideia é esgotar todos os recursos, junto ao Supremo Tribunal Federal e ao juiz da primeira instância, na tentativa de ter acesso aos depoimentos tanto de Youssef quanto do policial Jayme de Oliveira. Em resumo, os tucanos querem provar que houve "armação" e intuito de prejudicar as investigações sobre a corrupção na Petrobrás misturando informações verdadeiras com versões falsas.

De todo modo esse Jayme já está na lista dos depoentes a serem convocados na nova CPI da Petrobrás. Se CPI houver.

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