Ré ignorava origem dos R$ 620 mil recebidos, diz defesa

O advogado Luís Maximiliano Leal Telesca Mota afirmou nesta terça-feira, 14, que sua cliente, Anita Leocádia, ex-assessora do ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA), desconhecia a origem dos R$ 620 mil que recebeu para saldar dívidas de campanha do diretório do partido no Pará. O defensor pediu a absolvição de Anita da acusação de lavagem de dinheiro dentro do processo do mensalão que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal.

Ricardo Brito, da Agência Estado

14 de agosto de 2012 | 17h17

Telesca Mota disse que a ex-assessora não tinha qualquer conhecimento dos empréstimos tomados pelo PT no Banco Rural para quitar débitos eleitorais. "Ela não tinha conhecimento desses empréstimos. Não era ela a pessoa que estava no domínio do fato", afirmou. Ele ressaltou que não se importa se o contrato era "frio, gelado ou quente". O Ministério Público sustenta que os empréstimos eram fictícios.

Segundo o advogado, as cobranças de pagamento das dívidas chegavam a Anita pelo fato de ela ser à época a principal assessora de Paulo Rocha, presidente do PT paraense. "Existia uma realidade de dívidas: essas dívidas não são uma invenção e jamais foram refutadas pela Procuradoria", afirmou.

O pagamento, disse o defensor, foi feito depois que o diretório nacional do partido obteve os recursos. Segundo o advogado, Paulo Rocha também não sabia da origem do dinheiro, lembrando que apenas foi lhe dado uma ordem para receber os valores.

Telesca Mota criticou o fato de o MP ter denunciado Anita, uma cumpridora de ordens, e não ter acusado de envolvimento outras pessoas que receberam do esquema montado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares muito mais recursos. Ele citou um exemplo de uma pessoa que ganhou R$ 2,1 milhões e não foi denunciada. "A escolha de quem vai compor o polo passivo da ação penal não pode ser feita dessa forma, tem que ser feita de forma vinculada", criticou. "O Ministério Público não agiu com responsabilidade ao incluir Anita Leocádia", completou.

No final da sua exposição, o advogado fez uma ironia com o chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel, se valendo da música de Cazuza "O tempo não para". "Procurador-geral da República, a tua piscina está cheia de ratos, mas tuas ideias não correspondem aos fatos".

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