Raupp: governo 'não atende' aliados ao negociar CPMF

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja cobrando dos governadores mais empenho na cooptação de votos em favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo não tem atuado para consolidar o apoio em sua própria base política. "O Planalto não está atendendo nada", constatou o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). De acordo com as contas feitas hoje pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e pelo senador Raupp, se quatro senadores decidirem seguir o governo na votação da CPMF, a emenda chegará ao plenário na próxima quinta-feira com 51 votos favoráveis.Raupp afirma que o governo não estaria hoje em situação delicada se, há seis meses, tivesse resolvido os pleitos dos senadores aliados. A expectativa do governo é a de reverter os votos dos senadores Expedito Júnior (PR-RO), César Borges (PR-BA), Romeu Tuma (PTB-SP) e José Nery (PSOL-PA), que estão ameaçando ficar com a oposição. É o caso também do senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que se diz indeciso.Na avaliação dos líderes, oito senadores aliados teriam que ser atendidos pelo governo. Expedito Júnior, que participou ontem da reunião da oposição, disse a interlocutores que poderá mudar seu voto caso o Tesouro reveja os valores da dívida do Banco de Rondônia, que estaria em torno de R$ 900 milhões."Ainda há espaço para entendimentos", disse Raupp, tentando mostrar otimismo. Ontem, Múcio jantou com a bancada do PMDB. Hoje, está conversando também com os governadores para pedir ajuda. O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, está encarregado de consolidar os votos de três senadores. A pressão maior é sobre o senador Jonas Pinheiro (DEM-MT). No PMDB, os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Mão Santa (PI) são considerados casos perdidos, mas o gaúcho Pedro Simon (PMDB) não foi excluído das contas do governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.