Raupp diz que insatisfação do PMDB 'não é blefe'

Presidente interino do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) disse, nesta sexta-feira, que a insatisfação do PMDB com o governo "não é um blefe".

ERICH DECAT E BERNARDO CARAM, Agência Estado

19 de julho de 2013 | 19h29

Em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Raupp também avaliou que a ex-senadora Marina Silva não vai conseguir criar o partido Rede Sustentabilidade para disputar nas próximas eleições, garantiu que o PMDB não vai abrir mão da vice-presidência na chapa do governo e defendeu a redução no número dos ministérios. Contudo, considerou "radical" o partido tomar a iniciativa de deixar a Esplanada antes dos possíveis cortes.

"As insatisfações realmente existem, isso é natural. Há em todos os partidos, incluindo o próprio PT, setores insatisfeitos com o governo", disse Raupp. "Imagina no PMDB, uma bancada numerosa na Câmara, com deputados de todos os Estados, com divergências locais também, isso agrava um pouco a divergência com o PT. Ontem mesmo, no jantar (da bancada do PMDB na Câmara), eu disse que em 2005 o PMDB não tinha a vice na chapa do Lula, quando teve a crise profunda do mensalão. O governo despencou na popularidade, mas nem por isso o partido o abandonou. Ao contrário, sustentou, e graças ao PMDB, naquele momento, o governo pôde reagir, melhorou e chegou ao ponto da reeleição".

Mas diante do cenário de dificuldades na área econômica e na política, o PMDB, diz o senador, pretende "aprimorar" a aliança com o PT. "Não temos para 2014 a menor possibilidade de lançamento de candidatura própria", afirmou.

Segundo Raupp, a inquietação da bancada do PMDB no Senado está na forma da condução política do governo. "Acho que a reforma política tem de sair imediatamente. Não temos tempo para esperar para sair em 2016, 2018, como alguns estão falando. Temos 60 dias, plebiscito talvez não dê mais por causa do tempo. Por que o Congresso não pode fazer a reforma? Tudo bem que hoje tem uma dificuldade que é a quantidade de partidos. Na Câmara são 22 lideranças partidárias, imagina 22 líderes sentados numa mesa e chegando a um consenso para aprovar uma reforma? Isso está dificultando bastante. Sou presidente de um partido, mas acho que essa quantidade de partidos existentes hoje é excessiva", afirmou.

O PMDB, diz ele, estaria disposto a se fundir com outro partido. "Já conversei com muitos partidos para fazer fusão e vou continuar falando. Mas é difícil convencer um partido que tem o fundo partidário, que tem o poder de negociar a cada eleição, nos municípios, nos Estados". Mas Raupp nega que o discurso de redução dos partidos tenha como alvo a ex-ministra Marina Silva, que tenta criar o Rede Sustentabilidade. "Eu acho que ela nem vai conseguir (criar o novo partido). Há essa ideia de que o Congresso, os partidos da base estavam querendo barrar, dificultar a criação de novos partidos para barrar o partido da Marina. Mesmo deixando como está, livremente, já não se consegue para o ano que vem porque está tendo dificuldade. Tem uma série de burocracias que ainda precisam ser vencidas".

Mensalão

Raupp considera que a possível prisão em ano eleitoral dos envolvidos no mensalão pode ter impactos positivos na disputa de 2014. Em meados de agosto, o Supremo Tribunal Federal deve começar a julgar os recursos apresentados pelos condenados. As prisões de alguns deles, incluindo petistas, podem ocorrer no ano que vem. "Pior é se não punir. Se não fizer o que tem que ser feito. Aí sim, poderia ser muito ruim. A cobrança poderia ser muito mais forte", diz o senador.

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