Ratos de plásticos podem substituir cobaias em pesquisas

Uma cobaia branca, com cerca de 20 centímetros, conseguiu um feito raro: unir pesquisadores e integrantes de sociedades protetoras de animais. Feita de plástico, algumas peças de poliuretano e aço inox, ela pode substituir animais vivos em algumas fases de treinamento e experimentos de laboratório. Pelas contas do fabricante, a empresa belga Solvay Pharmaceuticals, a redução do uso de modelos vivos pode ser de até 70%. Além de ter uma textura semelhante à de um rato, o protótipo pode ser acoplado a um programa de computador que simula a respiração, batimentos cardíacos e temperatura. É possível, por exemplo, ver quais seriam as reações de um animal com determinada dose de anestesia. "O protótipo não dispensa as cobaias vivas, mas permite que elas sejam usadas depois de o aluno ter uma familiaridade maior com a técnica", afirma a pesquisadora de cirurgia experimental da Universidade Federal de São Paulo, Edna Frasson de Souza Monteiro. Na universidade, sete cobaias de plástico doadas pelo Instituto PVC estão sendo testadas. "Quanto menos animais forem sacrificados, melhor", afirma Marco Ciampi, presidente da Arca Brasil, entidade voltada para a defesa dos animais. A cobaia de PVC pode ser usada como modelo em até 25 operações que usam técnicas de microcirurgia. Para Edna, a grande vantagem do modelo é a tranqüilidade garantida ao aluno. "Na microcirurgia ele tem de aprender uma série de coisas: dirigir seus movimentos baseando-se na imagem do microscópio, manter uma postura adequada, não tremer", conta. Edna só aponta um problema: o preço. Cada cobaia - sem o programa de computador - custa cerca de US$ 160, sem contar o kit dos modelos de veias e órgãos, usado para a reposição.

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