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Ratinho nega direito de resposta para deputada após sugerir sua 'eliminação'

Em dezembro, apresentador sugeriu que a parlamentar Natalia Bonavides, do PT, deveria ser eliminada com uma metralhadora

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2022 | 09h00

O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, se negou a veicular direito de resposta da deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), a quem ele sugeriu “eliminar” no mês passado. Em resposta à Procuradoria da Câmara, onde tramita uma denúncia sobre o episódio, o empresário não recuou dos ataques proferidos à parlamentar e disse ter feito uma crítica com “linguajar popular”. 

Em 15 de dezembro, Ratinho sugeriu "pegar uma metralhadora” contra Natália após ela apresentar um projeto de Lei que acaba com os termos “marido e mulher” em celebrações de casamento. “A gente tinha que eliminar esses loucos. Não dá para pegar uma metralhadora?”, disse. O apresentador também proferiu ofensas machistas, recomendando que a deputada fosse “costurar as calças e lavar a cueca de seu marido”. A negativa do jornalista para veicular a resposta em seu programa "Turma do Ratinho", da rádio Massa FM foi revelada pelo portal Metrópoles.

Segundo a defesa de Ratinho, o apresentador usou “linguajar popular” para criticar a deputada, “na condição de um cidadão comum” e “sem qualquer pretensão” de destratar, ameaçar ou prejudicar a parlamentar.

Na manifestação encaminhada à Procuradoria, a defesa alega que a reposta de Natália "desborda de parâmetros legislativos" e não se destina à reposição da verdade dos fatos. "O que se observa é a discordância de opiniões, combatida com uma resposta política e ideológica da deputada que vai além da mensagem que gerou a interpelação", argumenta a advogada do apresentador, Roberta França.

A equipe da parlamentar afirma que não irá alterar a proposta de nota que deveria ser veiculada e que vai levar o caso à Justiça. "Como eles não acataram o que solicitamos e não temos acordo com o que eles estão propondo, a procuradoria da Câmara irá apresentar uma ação propriamente dita para que o direito de resposta seja decidido pelo Judiciário", afirma nota da deputada.

O PL apresentado por Natália sugere mudar o Código Civil para substituir o termo “marido e mulher”, previsto dessa forma no artigo 1.535, para “declaro firmado o casamento”. A alteração valeria somente para a celebração matrimonial em cartório. Falando ao Estadão em dezembro, a deputada argumentou se tratar de uma “alteração simples” com o objetivo de “incluir termos que valham para todos os casais, todas as famílias”.

O Estadão procurou a rádio Massa FM e a assessoria do apresentador, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto. 

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