André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Raquel tira nomes de Janot da Lava Jato

Procuradora-geral mantém apenas 2 dos 10 procuradores que trabalhavam com antecessor e escolhe Raquel Branquinho para a coordenação

Beatriz Bulla e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 12h33

BRASÍLIA - A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, oficializou a mudança na equipe que conduz as investigações da Lava Jato. A maioria do grupo foi trocada e só dois dos dez procuradores que trabalhavam com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot vão permanecer na equipe.

Além disso, Raquel estabeleceu que cinco integrantes do grupo antigo permanecerão por mais 30 dias para um trabalho de transição. Entre eles está o promotor Sérgio Bruno, que coordenou as investigações da Lava Jato durante a gestão de Janot. Depois desse período, a procuradora-geral da República vai avaliar se é necessário pedir mais reforços de investigadores. O grupo de Raquel terá oito membros permanentes. Com a oficialização dos nomes, a equipe começou a se debruçar no material da Lava Jato que existe na PGR.

As reuniões de transição entre parte da equipe de Raquel e o grupo de Janot já vinham acontecendo ao longo do último mês. No entanto, as informações sigilosas da Lava Jato só puderam começar a ser passadas para a nova equipe depois das nomeações. Segundo procuradores, a própria Raquel estabeleceu que as informações sigilosas só deveriam ser compartilhadas após a oficialização no cargo.

O grupo de trabalho da Lava Jato, conhecido como GT, conduz as investigações que ficam sob responsabilidade da PGR – os casos em que os alvos são autoridades com foro privilegiado.

Pela portaria assinada por Raquel, os integrantes do grupo de trabalho poderão colher depoimentos e participar de outros atos de produção de provas, participar de audiências relacionadas à Lava Jato que sejam conduzidas por juízes auxiliares do STF, pedir informações e documentos necessários às investigações. O grupo também é autorizado a participar de negociações para celebrar acordos de delação premiada.

A equipe ficará subordinada à Secretaria de Função Penal no Supremo Tribunal Federal, de responsabilidade a partir de agora da procuradora Raquel Branquinho. Ela comanda não só o grupo como também todas as questões envolvendo direito criminal perante o STF.

Para coordenar especificamente o GT, Raquel nomeou o procurador José Alfredo da Silva. Tanto ele como Raquel Branquinho têm experiência em investigações criminais emblemáticas e já trabalharam juntos, por exemplo, durante o processo do mensalão.

Toda a equipe tem experiência em investigações criminais, com atuação em operações como Zelotes e Greenfield. Além de Raquel Branquinho e José Alfredo da Silva, farão parte do grupo os procuradores Hebert Mesquita, José Ricardo Teixeira Alves, Luana Vargas Macedo, Marcelo Ribeiro de Oliveira, Maria Clara Barros Noleto e Pedro Jorge do Nascimento Costa.

Áudio de Joesley. Os dois últimos já integravam o grupo durante a gestão de Janot. Foi Maria Clara quem identificou o áudio em que os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud conversam sobre suposta orientação para fechar a delação premiada, que os fez perder o acordo com a Procuradoria-Geral.

Outros dois integrantes do grupo de Janot – Rodrigo Telles e Fernando Alencar – haviam sinalizado a intenção de permanecer no GT, mas foram incluídos no grupo de transição e, portanto, devem deixar a investigação dentro de 30 dias.

De acordo com interlocutores de Raquel, os dois não manifestaram oficialmente nas primeiras reuniões de transição a vontade de ficar na PGR.

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