Felipe Rau / Estadão
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Raquel Dodge considera 'grave' depoimento de porteiro no caso Marielle

No último dia de seu mandato na PGR, em setembro, ex-procuradora-geral da República pediu a federalização das investigações

Pedro Venceslau e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 14h01

A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge disse nesta quarta-feira, 30, que considera "grave" a declaração de um porteiro que cita o presidente Jair Bolsonaro em investigação sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). "É uma denúncia grave sobre a qual eu não tenho nenhum conhecimento", afirmou. Para ela, a menção ao presidente justifica que o caso vá para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Raquel Dodge falou com o Estado após participar do Estadão Brasil Summit - O que é poder?, realizado em São Paulo. Em setembro, quando ainda era procuradora-geral, ela denunciou o ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, além de outras quatro pessoas, por obstrução da investigação sobre os homicídios. No último dia de seu mandato, Raquel fez um pedido de federalização das investigações, com a justificativa de que havia "inércia" na apuração em nível local. A decisão cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Em depoimento revelado pelo Jornal Nacional nessa terça-feira, 29, um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa, um dos acusados de matar Marielle, afirmou à Polícia Civil que um homem chamado Elcio entrou no local dizendo que iria à casa 58, onde mora Bolsonaro. Segundo o porteiro, quem teria atendido o interfone foi "seu Jair", que teria autorizado a entrada. Registros da Câmara, no entanto, mostram que Jair Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.

"Toda vez que uma autoridade com foro de prerrogativa de função é referida, ainda que não haja nenhuma evidência contra ela, os casos costumam ser remetidos ao foro competente", disse a procuradora nesta quarta. Ela ressaltou ainda a dimensão do assassinato de Marielle. "É um caso muito importante. Ela era vereadora no exercício do cargo e fazia um grande serviço social. Toda vez que se cala um representante eleito do povo é preciso avaliar o homicídio nessa dimensão."

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