Rapaz diz que queria fazer uma "pegadinha" com índio

Terminou por volta das 11 horas o depoimento de Max Rogério Alves, um dos quatro rapazes envolvidos na morte do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997. O índio morreu queimado, em 1997, quando dormia em uma parada de ônibus, em Brasília. Em seu depoimento, Max Rogério confirmou toda a operação que resultou na morte do índio. Disse que ele e os companheiros, depois de passearem de carro por vários locais de Brasília, viram o índio dormindo em um ponto de ônibus e tiveram a idéia de fazer uma brincadeira, "uma pegadinha". Segundo ele, a intenção era colocar fogo apenas no cobertor para dar um susto no índio.Segundo Max Rogério, os rapazes foram, então, a um posto de gasolina onde compraram dois litros de álcool. Passearam mais um pouco pela cidade e voltaram ao local onde o índio ainda estava dormindo. Jogaram álcool no cobertor. No momento em que acenderam o fósforo houve, segundo o seu relato, um problema: o fogo atingiu também a garrafa de álcool, provocando uma pequena explosão. Assustado, Eron, que segurava a garrafa, largou-a, atingindo o índio.A juíza Sandra de Santis então perguntou a Max Rogério se não havia possibilidade de socorrer Galdino. Ele respondeu que não. Os rapazes, conforme Max, deixaram a área quando um carro próximo ao local acendeu o farol. Max deixou os colegas em casa e foi para seu apartamento onde, poucos minutos depois, ouviu uma sirene de carro policial. Um policial, pelo interfone, perguntou por sua mãe, Maria, a dona do Monza que ele dirigia, alegando que o carro tinha se envolvido em uma infração. Ele levou os policiais até o local onde tinha deixado o Monza. Um policial colocou a mão no capô e percebeu que o motor ainda estava quente. Levaram Max à delegacia onde ele acabou confessando o crime.Max Rogério deu o seu depoimento chorando a maior parte do tempo. Na platéia, algumas mulheres também choravam.Três homens e quatro mulheres - duas delas professoras - integram o júri que vai compor o Conselho de Sentença no julgamento dos quatro dos cinco acusados da morte de Galdino. Os advogados rejeitaram os três primeiros sorteados. A juíza Sandra de Santis informou que não se sente impedida de presidir o júri, conforme pedido do Ministério Público e dos advogados.A alegação do Ministério Público e dos advogados foi de que Sandra de Santis não poderia atuar porque, em 1997, ela desclassificou o crime atribuído aos rapazes de homicídio triplamente qualificado para lesão corporal seguida de morte. A decisão foi posteriormente reformada pelo Superior Tribunal de Justiça e, com isso, os quatro tiveram que ser submetidos ao júri. A previsão é de que o julgamento dure três dias, com interrupção às 20 horas para descanso dos jurados.

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