Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ramos vai trabalhar de moto e Bolsonaro diz que pode seguir exemplo

‘Que negócio é esse?’, perguntou o presidente ao saber da ‘aventura’ do ministro

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2019 | 17h20

BRASÍLIA – Articulador político do Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, circulou de moto nesta sexta-feira, 27, pela Esplanada dos Ministérios. Saiu de casa, na Asa Sul, e foi para o Palácio do Planalto em dez minutos, pilotando uma imponente Harley-Davidson, comprada por ele em 2013.

“Que negócio é esse?”, perguntou o presidente Jair Bolsonaro, ao saber da “aventura” do ministro. “Da próxima vez, nós vamos juntos para o trabalho de moto.” No dia de Natal, Bolsonaro também deu umas voltas com sua Honda 750 X, adquirida em novembro, mas apenas dentro do Palácio da Alvorada, a residência oficial.

Após despachar nesta sexta no Planalto, Ramos foi chamado para uma conversa com o presidente, no Alvorada. De, lá Bolsonaro seguiu para a Base Naval de Aratu, na Bahia, onde passará o Revéillon e a primeira semana de janeiro de 2020.

O ministro da Secretaria de Governo ficou contrariado com rumores de que fala muito, mas não “entrega”, em referência a cargos e emendas parlamentares. “Se não é entrega de resultado o que estou fazendo, eu não sei, mas eu me sinto muito bem no Congresso”, afirmou Ramos ao Estado. “Só que, desde julho, quando assumi o cargo, vi na prática que a vida de ministro não é fácil.”

Ramos contou que, nesse período, houve 400 nomeações e a secretaria comandada por ele fez “mais de 1500 atendimentos”. Negou, porém, que se trate de “toma lá, dá cá” em troca da aprovação de projetos de interesse do Planalto no Congresso, como a reforma da Previdência. “Aqui foi feita até indicação de veterinário que queria ir para o DNIT. Mas não é assim, né? Nós estamos monitorando tudo”, insistiu ele.

Nos últimos dias, no entanto, Ramos se reuniu com vários ministros e pediu o empenho de emendas para redutos eleitorais dos parlamentares. Muitos deputados ainda se queixam de que não receberam as emendas prometidas para aprovar as mudanças na aposentadoria. A equipe econômica já avisou, no entanto, que o cobertor é curto. “É tudo feito às claras aqui. Não escondemos nada”, disse Ramos.

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