MARCOS CORRÊA/PR
MARCOS CORRÊA/PR

Quem é o general Luiz Eduardo Ramos, novo ministro da Secretaria de Governo?

Ramos tem cinco estrelas no ombro: é amigo do presidente Jair Bolsonaro e dificilmente a rede bolsonarista da internet conseguirá causar intrigas entre os dois

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 05h00

Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira era o nome que todos no Exército entenderiam se vissem nomeado para o lugar de Santos Cruz. Só ele diminuiria o impacto da demissão do ministro ofendido e maltratado pela rede bolsonarista da internet. Analistas ouvidos pelo Estado avaliam que a saída pode causar mal-estar na relação entre o Planalto e os militares

Trata-se de um general com “cinco estrelas” no ombro: as quatro da carreira e a quinta da amizade com o presidente Jair Bolsonaro. Os dois se conhecem desde 1973, quando entraram na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (ExPCEx). O infante Ramos é o homem que, além de frequentar a casa e o Palácio, tem liberdade para aconselhar o artilheiro Bolsonaro.

Não é de ontem que Bolsonaro queria o amigo no Planalto. O general ficara em São Paulo, no Comando Militar do Sudeste (CMSE), onde acreditava servir melhor ao amigo. Em 19 de abril, o presidente decidiu prestigiá-lo, assistindo à cerimônia do dia do Exército no CMSE. Depois, passearam de moto pelo Guarujá.

Em 2018, a 20 dias da campanha eleitoral, Ramos fez um pronunciamento afirmando que a lei tinha de “ser cumprida, independentemente de quem está sendo atingido por ela”. “Não podemos transigir com as leis vigentes, buscando atender a interesses pessoais ou até mesmo político-partidários.”

Era um recado contra a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser candidato, apesar de preso e condenado pela Lava Jato. Ramos disse então: “Não temos lado. Quando me perguntam, general, qual o seu partido, qual o seu candidato? Eu digo: meu partido é a Pátria; meu candidato é o Exército". O cidadão, no entanto, torcia em silêncio pela vitória do amigo.

No peito de Ramos, ele ostenta a marca da ala militar do Planalto: a insígnia de paraquedista. Ele a traz em um círculo preto, a indicar que o militar é ainda Força Especial. Ou seja, para ele, não há tarefa que não possa ser executada. Esteve ainda no Haiti assim como outros três colegas de Esplanada: Augusto Heleno (Gabinete de Segunda Institucional), Floriano Peixoto (Secretaria-Geral da Presidência) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa).

Ramos é discreto e não se manifesta sobre as críticas da ala militar a Olavo de Carvalho, o guru dos Bolsonaro. Com a experiência de quem passou pela assessoria parlamentar do Exército, cultiva contatos com o mundo político e sabe da importância de mantê-los.

Bolsonaro terá no Planalto um general que pode chamá-lo de Jair, um fidelíssimo, que o respeita. Dificilmente, a rede bolsonarista da internet conseguirá intrigá-lo com o presidente.

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