Rainha Silvia está no Brasil para visitar projetos da ong WCF

Uma boa desculpa para visitar o Brasil. Foi assim que a rainha Silvia, da Suécia, que morou no País dos 4 aos 13 anos, começou a falar com os jornalistas na entrevista coletiva que concedeu nesta segunda-feira.Ela explicou logo, no entanto, que sua viagem não será de lazer. A rainha veio fiscalizar e mostrar que são bem-sucedidos os projetos apoiados pela World Childhood Foundation (WCF), organização não-governamental (ONG) que fundou no ano passado no Brasil.Os programas ajudam crianças e adolescentes em situação de risco, principalmente de violência e abuso sexual.No sábado, a rainha Silvia visitou o Projeto Aroeira, em Jaborandi, no interior. "Lá o trabalho está muito bonito", afirmou. "As crianças são estimuladas a largar a escola para trabalhar no campo e nosso trabalho é reverter essa situação", disse Marcos Kisil, presidente da WCF no Brasil."Estava ansiosa por essas visitas e me dá uma satisfação enorme saber que elas estão funcionando", disse a rainha. No segundo ano de atuação, a instituição distribuiu R$ 1,5 milhão para os projetos sociais que apóia.Metade dos recursos foi doada por empresas de outros países e metade captada pelos conselheiros da instituição no Brasil. Para 2002, a previsão é de cerca de R$ 2 milhões.A WCF foi criada pela rainha Silvia em 1999, na Suécia, e atualmente desenvolve projetos na Rússia, em países do Leste Europeu, Alemanha, Estados Unidos, Suécia, Equador e Brasil."É um trabalho difícil, mas é muito importante proteger nossas crianças", disse. "Os abusos sexuais não ocorrem somente em países subdesenvolvidos e sim no mundo todo."Nesta terça-feira, a rainha deve ir a duas instituições em Pernambuco: o Núcleo de Formação Coletivo Mulher Vida, em Olinda, e a Associação das Mulheres de Nazaré da Mata, na cidade de mesmo nome. Segundo Kisil, 2 mil crianças são atendidas diretamente pelos projetos. "Indiretamente, cerca de 15 mil se beneficiam com os programas", afirmou.A maior parte dos contratos com as entidades dura um ano. Kisil explicou que a escolha dos projetos depende da estrutura e segurança das ONGS. "As instituições precisam continuar o projeto quando o contrato terminar. Elas ganham conhecimento quando ficam um ano conosco", disse. "Terminado o contrato, a WCF acompanha e monitora se a ONG está continuando a realizar o projeto."A rainha também veio a São Paulo para uma reunião do conselho mundial da instituição. Segundo um dos conselheiros, Fernando Botelho, o desafio é aumentar a captação de recursos e desenvolver ainda mais a entidade.Silvia contou que começou a se interessar pela luta a favor dos jovens em situação de risco no início da década de 90, quando houve na Suécia um caso de violência sexual que chocou a população. Em 1994, ela fez um discurso sobre abuso sexual em um debate da Unesco. Quatro ano depois, criou a WCF.A entidade tem como público-alvo agentes multiplicadores como jornalistas, estudantes e representantes da sociedade civil que atuam na área.Um dos projetos no País desenvolve uma pesquisa sobre tráfico de mulheres - crianças e adolescentes - para exploração sexual."O número que temos nas estatísticas é só a ponta do iceberg, pois não há fontes seguras", disse Kisil.

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