Rainha quer mobilizar 2 milhões para invasões

O líder do Movimento dos Sem-Terra no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, disse nesta terça-feira que o movimento vai realizar um grande número de invasões em todo o País. Segundo ele, o MST usará toda sua estrutura para tentar colocar nas ruas dois milhões de trabalhadores sem terra. "O governo pode ficar preparado", avisou.O objetivo não é só apressar a reforma agrária, nem apenas atacar o governo, segundo ele. "É preciso mudar o jogo que está aí. Se a regra do jogo é a democracia, precisamos mudá-la", declarou. Ele disse que as mudanças no Brasil só acontecem com o povo nas ruas.Segundo ele, a nova onda de invasões não tem a ver com a eleições. O líder admitiu que o movimento errou ao retomar as invasões em plena campanha eleitoral."O erro nosso foi não termos feito umas 100 ocupações logo no início do ano." Segundo Rainha, o MST tem onde buscar gente para garantir a mobilização que pretende realizar. "São 12 milhões de sem-terra em todo o País."Os militantes já iniciaram o trabalho de arregimentação da massa. Os comandos regionais colocaram equipes para percorrer as periferias das cidades. Novas invasões devem ocorrer no Pontal, onde, pelas contas do MST, existem 92 mil hectares de terras devolutas.Durante a visita aos sem-terra que invadiram, na manhã desta segunda-feira, a fazenda Santa Maria, do sócio dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Teodoro Sampaio, ele disse que as terras tinham sido obtidas através de grilagem."São terras públicas e estão com parentes do presidente." Rainha reafirmou que a invasão foi uma forma de protesto contra a prisão dos 16 sem-terra em Minas Gerais. Segundo ele, o serviço de inteligência do governo sabia da invasão e não se preocupou em evitá-la.O MST vai utilizar a estrutura dos assentamentos, sindicatos, escolas e igrejas para arregimentar mão-de-obra para as próximas invasões. Segundo o líder Sérgio Pantaleão, embora a face visível do movimento esteja nos assentamentos e acampamentos espalhados pelo País, a rede de apoio inclui organizações externas, como os sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), parte das igrejas católicas e evangélicas e as escolas, sobretudo as rurais.O Pontal do Paranapanema, o braço mais forte do MST, concentra 70% dos assentamentos existentes no Estado. São 92 unidades, com 6 mil famílias. Há, ainda, 7 assentamentos com cerca de 2 mil famílias que aguardam a terra. Destes locais sai o pessoal da linha de frente, que participa diretamente da entrada nas terras. Neste grupo vão apenas os homens e mulheres que participaram dos treinamentos promovidos pelo MST.Consolidada a invasão, são trazidas as famílias. Os assentados utilizam-se da estrutura da Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços aos Assentados do Pontal do Paranapanema (Coocamp) para suas atividades. A frota inclui 50 tratores com maquinário, 9 caminhões, 1 ônibus e vários carros.A Coocamp tem também, parado, um parque industrial composto de despolpadeira, armazéns, silos e laticínios. Para concluir as obras, a cooperativa espera a liberação de R$ 300 mil pelo governo federal. Outros grandes assentamentos estão nas regiões de Promissão e Itapeva. Nesta, funcionam seis agrovilas com mais de 80 tratores, 12 caminhões, duas colhedoras, silos e armazéns. Há núcleos de assentamentos, ainda, em Porto Feliz, Iperó, Itapetininga e Iaras.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.