Rainha faz acordo com sindicatos para invasões em SP

O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior,fechou acordo com sindicatos ligados à Central Única deTrabalhadores (CUT) do oeste paulista para atuação conjunta emmovimentos de luta na região. O MST vai apoiar as mobilizaçõesdos sindicatos e contará com o reforço dos sindicalistas na lutapela reforma agrária, incluindo as invasões de fazendas.No encontro entre o grupo de Rainha e líderes de seis sindicatosda região, ocorrido neste domingo em Ouro Verde, a 670 quilômetros de São Paulo,ficaram definidas duas frentes de ações. O MST vai ajudar ossindicatos a se organizarem frente à ofensiva das usinas decana-de-açúcar no oeste e os sindicalistas irão engrossar asfileiras dos sem-terra nas invasões de fazendas. "Estamospreparando uma grande mobilização no Pontal e na Alta Paulista",anunciou o líder. "Esperamos que o governo não seja pego desurpresa."Segundo ele, a união dos sem-terra e dos trabalhadores rurais é"natural", pois a bandeira de luta é a mesma: "pelas melhorescondições de trabalho digno e de vida, contra a miséria e afome". Rainha, que trava uma guerra não declarada contra partedas lideranças oficiais do MST - apesar de sua história dentrodo movimento, ele foi tirado das funções de coordenação -enxergou a oportunidade de engrossar as fileiras dos sem-terracom a mão de obra atraída pelos canaviais. Na região, já atuamcerca de 50 mil cortadores de cana, na maioria imigrantes doNorte e Nordeste.Na entressafra, essa mão de obra fica desempregada. Algunssindicatos já organizaram acampamentos para abrigar essescortadores, mas as ações de luta pela terra ainda são isoladas.Os sindicalistas pretendem se valer da experiência de JoséRainha na organização e mobilização dessa massa. "Ninguém écontra as usinas, mas é preciso ter um programa diferenciado deagricultura familiar que possa atender esses companheiros, etambém dar atenção às questões trabalhistas", disse Rainha.Segundo ele, quanto mais organizados, maior poder de negociaçãoos trabalhadores terão com o governo.SerraEsta semana, Rainha se reuniu com o presidente do Instituto deTerras do Estado de São Paulo (Itesp), Gustavo Ongaro, nomeadorecentemente pelo governador José Serra. "Temos esperança que oSerra será diferente no Alckmin no tratamento da questãoagrária. Esperamos que ele seja da linha do Mário Covas(ex-governador, já falecido), que tinha uma visão diferente doproblema social." Para o líder, Serra teve participação ativa emmovimentos estudantis e foi exilado. "Ele sabe que a ocupação énecessária para acordar o Estado".

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