Rainha diz na justiça que continua líder do MST

O líder dos sem-terra José Rainha Júnior disse nesta sexta-feira, durante audiência no Fórum de Teodoro Sampaio, no Pontal doParanapanema, que continua na liderança do Movimento dos Sem-Terra(MST). Interrogado pelo juiz Atis de Araujo Oliveira sobre suaparticipação no movimento, afirmou que "o povo, os acampados meconsideram um líder e eu exerço essa liderança". Rainha havia sidoafastado da militância no ano passado pela cúpula do MST, depois de seracusado internamente de má gestão dos recursos destinados aassentamentos da região. Ele sofreu também o desgaste de duas prisõesconsecutivas, mas voltou à ativa na semana passada, iniciando ainstalação de um megacampamento em Presidente Epitácio. O retorno causou uma divisão na cúpula do movimento, que preferia mantê-loafastado. O coordenador estadual, Gilmar Mauro, um dos que se opõem àvolta de Rainha, convocou uma reunião das lideranças nacionais paraavaliar o caso. Rainha foi ao Fórum para responder a um processo-crime porconstrangimento ilegal e ameaça. Ele é acusado de ter liderado umamanifestação em abril de 2000 que obrigou o fechamento das agências doBanco do Brasil e do Banespa em Teodoro Sampaio em protesto contra afalta de financiamentos para os assentados. Os militantes, armados compedaços de paus e facões, teriam ameaçado os funcionários. José Rainhanegou ter participado do protesto. "Fiquei sabendo pela imprensa."Outros quatro líderes do MST são acusados do mesmo crime. Os líder dossem-terra foi liberado após a audiência. Militantes temiam que eleficasse preso, pois responde a mais uma dezena de processos na Comarca.O juiz é o mesmo que expediu mandados de prisão contra ele no anopassado.Em Presidente Epitácio, o acampamento inaugurado por Rainha no últimodomingo continua crescendo. Nesta sexta-feira, começaram a ser instalados os primeiros barracos do outro lado da pista, na rodovia vicinal SPV-35,próximo do trevo de acesso à cidade. O lado oposto está totalmentetomado. Rainha voltou a criticar a ameaça do secretário da Justiça eDefesa da Cidadania, Alexandre Moraes, de requerer o despejo dossem-terra desse local. "O secretário não parece tão preocupado emdespejar os fazendeiros que há mais de 100 anos ocupam terras doEstado." Segundo ele, se houver o despejo, os sem-terra vão se juntarem outro lugar. Para Rainha, o fluxo de pessoas para o acampamento éprova de que a reforma agrária funciona. "Essas pessoas são muitopobres e vêem as famílias moradoras de assentamentos melhorando devida."

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