Rainha acusa Serra de não usar verba federal na reforma agrária

Líder do MST diz que governador de SP tenta prejudicar governo federal; movimento ocupou 14 propriedades

Sandro Villar, de O Estado de S. Paulo,

04 de fevereiro de 2008 | 20h12

Mais dez fazendas foram ocupadas nesta segunda-feira, 4, por centenas de militantes sem-terra no Pontal do Paranapanema, elevando para 14 o total de propriedades invadidas em pelo menos dez municípios da região no extremo oeste de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Estado, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha, acusa o governador José Serra de prejudicar o governo federal, em um ano eleitoral, ao deixar de aplicar o dinheiro que recebe para a reforma agrária. "O Serra não comprou as terras para fazer a reforma agrária, recebeu R$ 11 milhões em 2007 e preferiu construir presídios e Febens. O Itesp não prestou contas ao governo federal, a reforma agrária deveria ficar só com o governo federal. Serra é o culpado. Em vez de investir no social, ele fez o contrário", atacou Rainha. Depois de acusar o governador de tentar legalizar 85% das terras públicas "para os grileiros", restando só 15% para dividir, Rainha lembrou que pelo menos 600 mil hectares de terras do Pontal são devolutas. "A Justiça já provou que são terras sem donos, com escrituras duvidosas". Ele apóia a decisão do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, de investir pesado na reforma agrária. "Estou de acordo com ele, o ministro Cassel deveria ser o comandante da reforma agrária", afirma. José Rainha acrescentou que o governo Lula deveria dialogar com os movimentos sociais antes de transferir mais recursos ao governo do Estado.  Invasões A mega invasão do MST, com o apoio de grupos como o MAST, começou domingo com a invasão de quatro fazendas: Iara, em Euclides da Cunha Paulista; Boa Esperança, que fica em Martinópolis; Guarani, situada em Presidente Bernardes; e Santa Lurdes, em Flora Rica. Um balanço das ocupações será divulgado pelo MST nesta terça-feira. Na lista das dez áreas ocupadas estão as Fazendas Beira Rio, que fica em Teodoro Sampaio, Estrela da Laranja Doce, em Martinópolis, e Cobra, localizada em Dracena. "A Fazenda Cobra tem 550 hectares e lá estão 70 famílias. Na Beira Rio há 48 famílias e, na Estrela da Laranja Doce, estão 60 famílias", contabiliza Claudemir Silva Novais, coordenador regional do MST. Segundo ele, as outras sete fazendas ficam nos municípios de Caiuá, Presidente Venceslau e Presidente Epitácio. "Ainda não tenho os nomes dessas fazendas", afirma. Novais diz que o objetivo das invasões é assentar cerca de 500 famílias que há três anos esperam na beira da estrada por um pedaço de terra. "É também para protestar contra a lentidão do governo Serra na condução da reforma agrária", avisa.    

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