Rádio Senado reproduz entrevista de Jader e causa mal-estar

A reprodução, pela Rádio Senado, de trechos da entrevista concedida pelo presidente doSenado, Jader Barbalho (PMDB-PA), a seu próprio canal de TV em Belém causoupolêmica em Brasília. Durante duas horas e 15 minutos, Jader ocupou a TV RBS nanoite de segunda-feira para se defender das acusações de que tem sido alvo. Aentrevista foi retransmitida por mais de 10 emissoras de rádio e televisão no Estado, deamigos de Jader, e ontem pela Rádio Senado. O senador Sebastião Rocha (PDT-AP)vai pedir explicações à Presidência do Senado sobre o fato.Para Rocha, o fato de a entrevista ter sido dada a uma emissora privada, e não à própriaRádio Senado, caracteriza a utilização da emissora em benefício próprio e cria umprecedente que poderá ser usado por outros parlamentares. "A Rádio Senado devepegar suas informações diretamente, e não retransmitir o que foi dito a empresasprivadas", critica ele, para quem Jader recebeu um tratamento diferenciado pelaemissora institucional.A questão levantada pelo senador tem caráter ético, já que não há impedimento legalpara a reprodução dos trechos de entrevistas de senadores concedidas a emissorasprivadas, embora não haja precedente no histórico da Rádio Senado. A direção da RádioSenado explicou que não houve qualquer pedido do senador ou de sua assessoria parareproduzir a entrevista e que se trata de uma praxe, durante o recesso parlamentar, adivulgação de entrevistas gravadas nos Estados pelos senadores.As explicações de Jader às acusações levantadas contra ele foram reproduzidas nosjornais da Rádio Senado durante o dia de ontem e a íntegra da entrevista seriadisponibilizada no site da rádio (www.senado.gov.br/radio ). Na entrevista à sua TV, o senador Jader citou por váriasvezes o presidente Fernando Henrique Cardoso como exemplo de vítima de campanhasorquestradas.Alguns setores da imprensa foram escolhidos como alvo por Jader, a quem denominoude "viúvas de Antônio Carlos Magalhães", para justificar as diversas denúncias quepesam contra ele. Ao se referir aos desvios do Banpará em 1988, quando eragovernador do Estado, ele lembrou que Fernando Henrique não pode, como ele nãopoderia, gerenciar as instituições.Jader insinuou que o presidente lhe dera apoio. "Nunca discuti isso com ele (FernandoHenrique) mas, é claro (referindo-se ao apoio dado), porque ele é alvo freqüente disso",afirmou o senador, assinalando casos de denúncias envolvendo o presidente, como ofalso dossiê Cayman.Ao falar de suas relações perigosas com o empresário José Osmar Borges, que foiqualificado como "um grande empreendedor", confessando, inclusive que já visitouprojetos dele em Mato Grosso, Jader, novamente lembrou o nome do presidente. "Oque eu tenho a ver com isso, se um empresário rouba. O que tem o presidente FernandoHenrique Cardoso se um empresário levanta dinheiro no BNDES?", indagou opresidente do Senado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.