Radicais do PT mantém postura de crítica ao governo

A senadora Heloísa Helena (AL) chorou hoje na reunião da Frente Parlamentar e de Entidades em Defesa da Previdência Pública ao falar sobre a possibilidade de sua expulsão do PT. "Temos passado por uma situação extremamente difícil no PT", disse Heloísa, com a voz embargada. Em seguida, porém, ressalvou que não pretende recuar nas críticas ao projeto de reforma da Previdência. "Não tem grito de nenhuma autoridade do PT, nem de nenhuma autoridade do governo, que me faça mover um único músculo para não fazer este debate", garantiu.Para uma platéia formada, em sua maioria, por representantes do funcionalismo público, Heloísa Helena disse que suas lágrimas eram de tristeza e de constrangimento pelo "desrespeito" de seu partido. "Não estamos paralisados diante do medo", afirmou. Foi aplaudida de pé.Na primeira reunião desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Frente Parlamentar em Defesa da Previdência decidiu enviar à Executiva Nacional do PT uma moção de apoio à senadora e aos deputados João Batista de Araújo (PA), o Babá, Luciana Genro (RS) e Lindberg Farias (RJ), ameaçados de expulsão. Hoje, mais uma vez, os quatro parlamentares radicais declararam que votarão contra a taxação dos inativos, mesmo que sejam desligados do PT. "Eu não tenho nenhum problema em defender as corporações. Vergonha eu teria em defender as corporations", argumentou Heloísa Helena. "Por que o governo não mexe com quem tem aposentadoria de ex-deputado e ex-senador?", questionou. Disse que a reforma da Previdência, do jeito que está, assegura os interesses de "uma nuvem de parasitas" e dos "gigolôs" do Fundo Monetário Internacional (FMI).Sentado ao lado da senadora, o coordenador da Frente Parlamentar, senador Paulo Paim (RS), afirmou que aquele fórum não era de oposição ao governo Lula. "Vocês acham que não estamos constrangidos no debate dessa reforma?", perguntou. "Nós somos PT, gente!" Paim convocou a platéia a fazer tantos atos públicos "quantos forem necessários" para mostrar ao governo que existem alternativas à proposta de taxar inativos.Suspenso por 30 dias da função de vice-líder da bancada, Lindberg confessou estar preocupado com os rumos da administração petista. "Precisamos sensibilizar o presidente Lula a mudar de caminho, porque este é o rumo da derrota", previu. O deputado pediu aos companheiros que o ajudem a formar um "pólo de esquerda" à linha monetarista adotada pelo Ministério da Fazenda.Luciana, por sua vez, solicitou que todos assinassem o abaixo-assinado contra a expulsão dela e de seus colegas radicais. Em seu discurso, chegou a fazer uma comparação típica de queda de braço. "O PT é mais nosso do que deles", alegou, numa referência aos governistas. "Eles é que estão aderindo às idéias que sempre combatemos."Babá afirmou que é considerado "um estorvo" no PT, mas garantiu que não vai calar-se. Mais: disse que irá para a Comissão de Ética petista por estar sendo "ético" com os trabalhadores, e não com o mercado financeiro. "O governo Lula pagou R$ 50 bilhões de juros em 3 meses para os banqueiros internacionais, enquanto essa reforma da Previdência traria uma economia de R$ 53 bilhões em 33 anos", comparou.No primeiro mandato como deputado federal, o neoradical João Fontes (PT-SE) engrossou as críticas. "A realidade é que nosso governo se converteu à política neoliberal", concluiu.

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