Radialista lidera a disputa em Salvador

Raimundo Varela vem desbancando nomes de peso da política baiana

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 Janeiro 2008 | 00h00

A pouco menos de nove meses das eleições municipais de 5 de outubro, um fenômeno eleitoral desponta no cenário da política baiana: o radialista e apresentador de programa popular de televisão Raimundo Varela, do PRB do vice-presidente José Alencar. Varela aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de Salvador. À frente de nomes de peso, como o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), os petistas Nelson Pelegrino e Walter Pinheiro, e o atual prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), candidato à reeleição, Raimundo Varela não tem tradição política, nunca ocupou cargo eletivo e migrou, em setembro do ano passado, do PTC para o PRB. Passou a contar, então, com o respaldo da Igreja Universal, dona da Rede Record, onde Varela tem um programa diário de TV, e de José Alencar para a sua candidatura. "Ele tem um programa diário no rádio e na televisão e, portanto, é normal que o nome dele apareça em primeiro lugar nas pesquisas", diz Walter Pinheiro, pré-candidato do PT à Prefeitura de Salvador. "Mas não acredito que sua candidatura se sustente quando acabar essa exposição diária na mídia", completa. "Acho que é um fenômeno transitório", afirma o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que abdicou de sua candidatura à prefeitura em favor de ACM Neto. "É uma pessoa muito conhecida em Salvador. Tem programa de rádio há quase 30 anos e vamos trabalhar para elegê-lo", diz o presidente do PRB da Bahia, Valdir Trindade. O programa de Varela na TV Itapoan, repetidora da Record, tem o mesmo formato que o de Wagner Montes (PDT), também em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto à Prefeitura do Rio. No Balanço Geral, o apresentador baiano, que não é da Igreja Universal, segue o mesmo script da maioria das atrações populares: distribui remédios, consegue cirurgias e faz denúncias contra tudo e todos. Pela legislação eleitoral, seus programas terão de sair do ar, caso realmente se candidate nas eleições de 2008. Ele ficará sem um palco diário para fazer sua campanha calcada na ajuda à população necessitada.Aos 60 anos, Raimundo Varela já fez transplante de rim e esta semana ficou internado em São Paulo para curar-se de uma forte gripe. Em nota oficial, a direção da TV Itapoan informa que o apresentador "retorna às atividades" esta semana. CENÁRIO INÉDITOA candidatura de Varela sobressai em um cenário político inédito na Bahia: é a primeira eleição no Estado, nos últimos 50 anos, sem a presença do senador Antonio Carlos Magalhães, que morreu em julho do ano passado. Depois de perder em 2006 para o PT uma hegemonia de 16 anos no governo da Bahia, o DEM prepara-se agora para tentar recuperar terreno e voltar a comandar a Prefeitura de Salvador, a mais importante do Estado. Escolheu para a empreitada o herdeiro político do senador, o deputado ACM Neto. A Prefeitura de Salvador ficou nas mãos do DEM durante oito anos, entre 1996 e 2004, com o hoje tucano Antonio Imbassahy. Em 2004, o grupo de ACM perdeu a disputa para João Henrique, hoje no PMDB e que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a prefeitura. O DEM aposta na divisão dos partidos de esquerda para conseguir chegar ao segundo turno. Além do PT, o PSB e o PC do B também têm pré-candidatos nas eleições municipais. Com essa pulverização de candidaturas, as chances de segundo turno são maiores. "O correto é tentar compor uma frente que seja a mais próxima possível da que está no governo do Estado", diz Walter Pinheiro. Nas mãos do petista Jaques Wagner, o governo baiano tem entre seus aliados o PMDB do prefeito João Henrique. "Se fizermos um bloco do PT com o PMDB é difícil perdermos as eleições", observa Pinheiro. "Agora se cada um resolver sair candidato, pode até ser que dê o Raimundo Varela nas eleições de Salvador", prevê o petista.

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