Radialista desponta em Maceió com 81%

Candidato à reeleição, Almeida já ajuda a eleger filho de Collor em cidade vizinha e se cacifa para governador

Marcelo Auler e Ricardo Rodrigues, MACEIÓ, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

O radialista, cantor de forró e prefeito de Maceió, José Cícero Soares de Almeida (PP), despontará como o maior fenômeno eleitoral nas capitais - se confirmada previsão do Ibope -, superando até mesmo o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Enquanto o tucano do Paraná aparece com 74% das intenções de voto, Almeida atinge 81% nas pesquisas.Sua reeleição carimba seu passaporte para a briga pelo governo de Alagoas em 2010.A vitória de Almeida, 50 anos, que prefere ser chamado como "Ciço", ocorre à revelia dos principais políticos alagoanos.O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB) é um dos que o apóiam. "Eles sentiram que não tinham a menor condição de uma aliança contrária e estão aliados", explica Almeida sobre o grupo político do ex-presidente. Neste final de campanha, o prefeito dará "uma força" ao filho de Collor, Fernando James Braz Collor de Mello (PTB), que luta pela Prefeitura de Rio Largo.Apoio mesmo Almeida recebe do usineiro João Lyra, candidato derrotado ao governo do Estado em 2006. Em 2004, ele desistiu da disputa pela prefeitura ao constatar a popularidade de Almeida. Em troca, Lyra indicou a filha Lourdinha para vice, cargo em que ela permanece.Com o governador Teotônio Vilela (PSDB), o prefeito mantinha boa relação: em 2002, Almeida o apoiou e a Renan Calheiros (PMDB) ao Senado. "Com a ambição pelo poder ninguém tem limites, se esquecem das amizades e do respeito ao próximo", desabafa o prefeito, que reclama das pancadas que tem recebido da adversária Solange Jurema (PSDB), que está com 6% nas pesquisas. A crítica mais contundente da tucana é por causa do forró que Almeida gravou: Locadora de Mulher. GOVERNO ESTADUALA disputa pela prefeitura antecipa a briga pelo governo do Estado, cobiçado oficialmente por Vilela e Collor. "As coisas na minha vida, inclusive profissional, aconteceram naturalmente, por reconhecimento. Se disser que passa por minha mente ser governador, eu estaria cometendo um ato medíocre", desconversa Almeida, para dizer em seguida que pesquisas o apontam com 57% das preferências contra 36% de Collor. "Se for uma coisa por unanimidade da sociedade, talvez isto aconteça", admite.Renan vê Almeida como um aliado. Entre os planos está se reeleger senador em uma chapa com o prefeito para governador e na vice Luciano Barbosa (PMDB), atual prefeito de Arapiraca.Para os alagoanos, não será novidade Almeida deixar o possível segundo mandato antes do fim. Em oito anos de vida política, o ex-servente de pedreiro, ex-cobrador de ônibus, ex-taxista e radialista já foi vereador e deputado, mas só cumpriu um mandato por inteiro: o de prefeito.Sua passagem pela Assembléia foi rápida, mas não o livrou do indiciamento pela Polícia Federal na Operação Taturana, que apura desvio de R$ 280 milhões do Legislativo. Seu nome está ligado a um empréstimo de R$ 150 mil no Banco Rural, que, segundo Almeida, foi feito a pedido do então presidente da Casa, Celso Luiz. "Não sabia que poderia dar complicação", defende-se. FRASESCícero Almeida (PP)Candidato à reeleição"As coisas na minha vida, inclusive profissional, aconteceram naturalmente, por reconhecimento. Se disser que passa por minha mente ser governador, eu estaria cometendo um ato medíocre""Se for uma coisa por unanimidade da sociedade, talvez isto aconteça"

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