Racionamento de energia virá em breve, diz Procel

O chefe do departamento de conservação de energia da Eletrobrás e gerente do Programa de Conservação de Eletricidade(Procel), Amilcar Guerreiro, admite que a situação do país já é grave em termos de abastecimento de energia.?Agora esta questão vai além da conservação de energia, que é sempre importante. É possível que algum sacrifício do confortotenha de ser feito pela população?, disse.Guerreiro admite que todas as informações até agora indicam um racionamento embreve.Quem não se acostumar a diminuir o consumo e acompanhar com atenção seus gastos com energia corre grande risco deem breve estar pagando a multa que deve ser instituída pelo governo para frear o consumo no País.O Ministério de Minas e Energia está trabalhando com dois cenários para um possível racionamento: necessidade de reduzirem 15% ou em 20% o consumo nacional.Em caso de redução de 15%, o consumidor residencial teria de cortar seus gastosem 17%, e na hipótese de 20% no total, as residências teriam de reduzir sua utilização em 21%.A tendência é que o governo estabeleça uma sobretaxa sobre a energia de quem não fizer esta redução.?A falta deinvestimentos na geração é que fez com que o país chegasse a esta situação. A redução do consumo é uma medidaemergencial para corrigir um grave erro que foi cometido no pasado?, avalia o pesquisador da Coordenadoria dos Programas dePós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, Roberto Schaeffer.Uma das grandes dificuldades para o consumidor é acertar - ou pelo menos ficar próximo ? das metas de redução. AmilcarGuerreiro admite que é muito complicado mapear o consumo de cada aparelho para manter este controle.?Uma boa opçãopode ser examinar periodicamente, a cada dez dias por exemplo, o relógio de luz para ver como estão os gastos?, disse.O aparelho que normalmente gasta mais energia elétrica em uma residência é a geladeira, que em geralresponde por cerca de um terço do total de energia consumido.Roberto Schaeffer diz que na hora de comprar uma geladeira, é importante que o consumidor escolha aquelas que gastemmenos energia.?O problema é que uma geladeira tem uma vida útil de 10 anos e existe pouca coisa que pode ser feita para ela gastar menos?,observou.Schaeffer diz que uma medida que pode ajudar é verificar se a vedação da geladeira não está com defeito, permitindo que ocalor entre.?Também é bom tentar abrir a geladeira o menor número possível de vezes?, explicou.Depois da geladeira, o chuveiro elétrico costuma ser o maior responsável pelo consumo de energia elétrica. ?No caso dochuveiro, já existe uma margem de manobra muito maior para a redução do consumo, principalmente através da redução notempo de uso?, afirmou.O pesquisador aconselha os consumidores a deixar a chave de seleção de temperatura da água sempre na posição verão,que consome cerca de 30% menos energia. ?Existe um hábito no Brasil de se deixar o chuveiro na posição mais quente ereduzir a temperatura aumentando o fluxo de água. Isto provoca uma grande consumo de energia?, explicou.A iluminação também é outro ponto que merece atenção especial. A solução em geral apontada para a redução no consumo -além de deixar luzes acessas desnecessariamente - é a troca das lâmpadas incandescentes por outras fluorescentes.Schaeffer adverte, no entanto, que esta troca precisa ser bem planejada para que as fluorescentes não caiam em descrédito.?A lâmpada fluorescente tem uma vida útil muito maior do que a incandescente, mas só se for utilizada em lugares onde a luzfica muito tempo ligada.Ficar ligando e desligando uma lâmpada fluorescente faz com que ela estrague rápido?, explica.O pesquisador explica que o consumo das lâmpadas fluorescentes é quatro vezes menor do que o das incandescentes.Oproblema é que elas costumam custar de R$ 20 a R$ 30, enquanto a incandescente pode custar menos de R$ 1. ?Mas se forbem utilizada sua vida útil pode chegar a 10 mil horas enquanto a comum fica em torno de mil horas?, explicou.Para reduzir os gastos com ar-condicionado, as únicas medidas possíveis são diminuir o tempo de uso do equipamento e evitarque portas e janelas fiquem abertas. ?É claro que o conforto de um ar-condicionado é muito maior do que o de um ventilador,mas em termos de conservação de energia é melhor usar um ventilador?, observa.

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