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Racionamento de combustível

Adversários começam a discutir meios de reduzir o estoque eleitoral que vão dar ao presidente falastrão

Vera Magalhães, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2019 | 03h03

Diante da evidência de que Jair Bolsonaro já está em campanha para 2022, como ele mesmo admitiu nesta terça-feira, 6, e de que não há alternativas no centro e à esquerda a ele, adversários começam a discutir meios de reduzir o estoque de combustível eleitoral que vão dar ao presidente falastrão.

As reformas já estão precificadas, mas a ideia de um grupo amplo de parlamentares é não dar “dinheiro novo” que irrigue a economia rapidamente e dê gás a Bolsonaro.

Nesse quadro, é a pauta de privatizações, sobretudo as mais ambiciosas, que entra na mira. Haverá resistência a empreitadas como a venda da Eletrobrás, uma das prioridades de Paulo Guedes.

“É loucura imaginar que o Congresso vai facilitar o plano de Bolsonaro para aniquilar não só os adversários, mas a política”, disse à coluna um dirigente de uma das siglas do que se convencionou chamar de centrão.

Para avançar na agenda pós-Previdência, inclusive no sentido de unificar os esforços na reforma tributária, Guedes não terá a mesma facilidade de transitar como se fosse um corpo estranho liberal num governo de corte autoritário.

A escalada de palavras e ações de Bolsonaro aumenta na Câmara o desejo de resguardar as prerrogativas do Legislativo, inclusive limitando a edição de medidas provisórias, e também reduz a disposição de manter a “separação" entre a política econômica e o resto. “À medida que Bolsonaro usa Guedes como Cavalo de Troia para invadir a cidadela da democracia, temos de nos opor”, observa um parlamentar.

TERMÔMETRO: 

Recesso sem protestos deu tranquilidade a deputados

A volta às chamadas bases eleitorais tranquilizou deputados logo após a votação da reforma da Previdência. Na volta a Brasília, o que mais se via eram rodinhas de parlamentares de várias siglas um tanto espantados com a acolhida receptiva que observaram ao fato de terem referendado a medida, algo inimaginável há alguns anos. Isso facilitou os acordos para liquidar logo a fatura do segundo turno, até para que os deputados possam se debruçar sobre a pauta própria do parlamento.

ACABOU A MAMATA?

Oposição vai enfatizar contradição com discurso da nova política

Além do fim da boa vontade generalizada com a agenda econômica do governo, a estratégia ainda incipiente de uma oposição totalmente desarticulada para conter Bolsonaro deverá ser focar mais nas evidentes e crescentes contradições da prática de governo com o discurso moralista da “nova política” vendido na campanha.

A avaliação é que os arroubos politicamente incorretos têm menos potencial de estrago na estrutura de apoio ao presidente que episódios como a nomeação de parentes no atacado nos gabinetes da família, a nomeação do filho para a Embaixada de Washington, o uso do helicóptero da FAB para transportar a primaiada, o fantasma Fabrício Queiroz, que segue pairando como um estigma apesar do refresco dado pela decisão de Dias Toffoli e todo o chorume que ele pode trazer à tona quanto a ligações do clã com as milícias no Rio de Janeiro.

Começarão a ser frequentes os discursos chamando o Ministério Público do Rio à responsabilidade de não aceitar que o caso Queiroz seja abafado.

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