Racionamento criará mais perueiros, diz Marta

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), tentou amenizar hoje o protesto de perueiros que enfrenta desde ontem, quando um grupo de cerca de 100 pessoas montou um acampamento em frente ao Palácio das Indústrias, sede do governo municipal. Marta atribuiu à política econômica adotada pelo governo federal a responsabilidade pelo desemprego crescente na capital paulista. "Agora, com essa crise de energia, a cada dia se tem notícia de mais empresas demitindo. Essa semana eu li que foi a Philips. E o pesadelo que fica para a prefeita é quanto tempo essas pessoas vão demorar para comprar uma barraquinha ou uma perua", disse, referindo-se aos ambulantes e aos perueiros.Enquanto participava da cerimônia de lançamento de seu quarto programa social, o Oportunidade Solidária, no Salão Azul do Palácio das Indústrias, do lado de fora da Prefeitura os perueiros realizavam uma sardinhada. Eles estão acampados desde ontem e exigem da administração municipal a diminuição da fiscalização. Os perueiros afirmam estar sendo perseguidos e pedem ainda agilidade da Prefeitura no processo de licitação para legalização de novas peruas. Eles também estão organizando pedágios, a terem início a partir das 17 horas, para que arrecadem dinheiro, junto aos perueiros legalizados, para a compra de alimentos para os acampados.ProgramaNo início da tarde de hoje, Marta lançou oficialmente o programa Oportunidade Solidária. A pretensão da Prefeitura é envolver os participantes dos três primeiros programas (Começar de Novo, Bolsa Trabalho e Renda Mínima), nessa ordem de prioridade, em cursos de capacitação e de técnicas para empreendedores, "de modo a oferecer caminhos para que eles busquem atividades que possibilitem autonomia e emancipação social, constituindo cooperativas e associações comunitárias".O programa também oferecerá, segundo o secretário do Trabalho, Márcio Pochmann, capacitação a trabalhadores que pertencem a quadros de empresas com risco de continuidade operacional. "Também vamos atuar junto aos estudantes universitários, com concessão de bolsas, no valor de R$ 370 mensais, para que desenvolvam projetos de base tecnológica (softwares, por exemplo), sob supervisão de professores e disponibilidade de locais de trabalho junto às instituições de ensino e pesquisas que vão ser parceiras da Prefeitura no programa", disse Pochmann.Segundo o secretário, esse ano, a Prefeitura vai investir R$ 700 mil no Oportunidade Solidária. A gestão petistas está convidando várias entidades para serem parceiras no projeto. Entre elas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).O economista Paul Singer, elogiou o projeto de Marta. "Pela primeira vez um governo municipal está assumindo responsabilidades sobre o desemprego na cidade." Hoje, Singer foi convidado por Marta a assumir o Conselho de Desenvolvimento Solidário do Município.

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