Racionamento agravou furto de energia, diz a Light

O racionamento de energia elétrica no ano passado agravou o problema de furto na região de concessão da Light, na opinião do diretor comercial da empresa controlada pela EDF francesa, Claude Monméjean."Para evitar a sobretaxa e não ter a energia cortada, muitas pessoas fizeram ´gatos´, e essa situação perdura até hoje", observou o executivo. Pelos dados da empresa, o maior problema está junto à classe média, que já têm os seus medidores instalados e não está pagando, em grande parte, "por questões culturais"."As pessoas não pagam porque não querem pagar", acredita. A estimativa da distribuidora é que, do consumo anual de 25.200 GWh, cerca de 5.400 GWh são "perdas comerciais". Essas perdas são particularmente prejudiciais à distribuidora, pois é uma energia pela qual a Light paga ao fornecedor (especialmente Furnas e Itaipu), mas não recebe nada do consumidor.Na opinião do secretário-geral da presidência da Light, Sérgio Malta, as perdas da Light representam 26% do total da energia fornecida, o que é mais do que o dobro da média nacional, que estaria em torno de 10%. De qualquer forma, ele considera o problema alarmante."O furto em escala nacional equivale à metade da geração de Itaipu, que é a maior hidrelétrica do mundo, ou o total consumido pelo estado do Rio de Janeiro", ilustrou.Pelos dados da Light, do total furtado, 40% são de clientes regulares, cadastrados, mas que fazem "gatos" ou então simplesmente não pagam a cota. Outros 24% são de responsabilidade de empresas comerciais e industriais, enquanto a população de baixa renda representa 20% do total.As ligações clandestinas respondem pelos 16% restantes. Além de endurecer com os consumidores que não estão pagando, a Light pretende desenvolver um trabalho mais intenso junto ao judiciário. Monméjean disse que é comum juízes não punirem consumidores que estão furtando energia sob alegação de que energia é um bem social."Todo serviço precisa ser remunerado para ser mantido. Caso contrário não tem como se viabilizar", defendeu. O executivo não quis atribuir a decisão da diretoria da Light de endurecer a uma eventual pressão que tenha recebido dos investidores franceses da EDF. "É evidente que nenhum investidor gosta de perder dinheiro, mas esse é um problema crônico, que tem de ser resolvido", enfatizou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.