Rachado, PT pernambucano critica campanha de Costa

Em carta divulgada nesta quarta, uma ala do PT pernambucano, que inclui sete tendências, fez duras críticas à condução da campanha do senador Humberto Costa à prefeitura do Recife e condenou os ataques que têm sido feitos "de forma virulenta e intempestiva" contra o governo Eduardo Campos (PSB), do qual o PT é integrante.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

26 de setembro de 2012 | 19h29

"Com afirmativa mentirosa, sobre a privatização da Compesa (companhia estadual de saneamento) e aumento da tarifa, o candidato do nosso partido trata um aliado estadual e nacional como inimigo", afirma a carta assinada pelas tendências Organização Marxista (OM), Novos Rumos, Democracia Socialista (DS), Coletivo Quilombo, PT de Lutas e de Massas (PTLM), Movimento PT e Militantes da Mensagem ao Partido.

O grupo se refere à Parceria Público Privada (PPP) da Compesa, que vem sendo utilizada pelo PT na campanha. Humberto Costa diz que o sistema de esgoto será privatizado e que a conta de água sofrerá aumento de 15%. E conclama os eleitores a votar no PT para evitar esse prejuízo. O próprio governador já apareceu no programa do seu candidato, Geraldo Julio, para desmentir a informação.

Na carta, o grupo do PT insatisfeito com Humberto Costa afirma que o deputado federal João Paulo, ex-prefeito da cidade e atualmente candidato a vice-prefeito na chapa de Humberto, assinou um contrato visando à PPP da Compesa e jamais falou em privatização.

O grupo afirma que a "construção histórica" do PT, partido de propostas ousadas e críticas contundentes "vem sendo substituída pelo pragmatismo e imediatismo de grupos políticos" comandados por Humberto Costa, João Paulo e seu grupo, "mais preocupados com sua própria sobrevivência política do que com os rumos do PT".

A carta avalia que o PT "trata aliados históricos como se fossem adversários" e condena a nacionalização da disputa. Credita a estratégia de "esquerdizar" a campanha "para justificar a irresponsabilidade política de Humberto Costa e seu grupo pelo isolamento do PT, numa manobra desesperada e eleitoreira".

As tendências signatárias da carta apoiam o atual prefeito, João da Costa, que foi impedido de disputar a reeleição por decisão do PT nacional, que indicou Humberto. O racha interno levou o PSB a lançar candidato. A carta também critica o processo de escolha do candidato petista e afirma que "não nos cabe transferir a responsabilidade dos erros políticos aos demais partidos aliados, nem muito menos às lideranças destes".

"Os equívocos começaram e permanecem no interior de nossa organização partidária e é fruto da política do personalismo, da falta de democracia interna e do desrespeito aos militantes e lideranças oriundas de outros campos, que não o majoritário".

O senador, que aparecia como líder das pesquisas no início da campanha, caiu para o terceiro lugar, de acordo com o Ibope. Ele não comentou a carta. Disse que não iria discutir estratégia de campanha com pessoas que não estão participando da sua campanha.

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