Rachado, Centrão conta votos de aliados

Líderes de bloco que apoiou Eduardo Cunha buscavam ontem estratégia para evitar possível revés da candidatura de Rogério Rosso, do PSD

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 07h04

Com a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, o Centrão, sua principal base de apoio formada por PP, PR, PSD, PTB, PSC e partidos médios, dá sinais de declínio. O grupo ficou dividido ontem e refazia as contas do número de votos que conseguiria ter nas principais candidaturas do bloco.

No mesmo momento em que o peemedebista tentava convencer integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de votar contra a sua cassação, alguns líderes do Centrão faziam uma reunião de emergência em uma das salas da Quarta Secretaria. Convocado às pressas, o encontro buscava uma nova estratégia para tentar evitar um possível revés da candidatura do líder do PSD, Rogério Rosso (DF), na disputa pelo comando da Câmara.

Com apoio do Palácio do Planalto, Rosso era considerado favorito até a véspera da disputa. O clima de tensão dentro do grupo se estabeleceu, contudo, após o lançamento oficial pelo PMDB do deputado Marcelo Castro no páreo. Com lápis e papel na mão, alguns integrantes do Centrão apontavam, até o fim da tarde de ontem, para uma possível derrota de Rosso.

De acordo com um dos líderes do grupo ouvido pelo Estado, Rosso tinha naquele momento cerca de 140 votos contra 150 de Castro. Até anteontem, o candidato do PSD liderava as projeções.

Um dos motivos apontados para Rosso não estar à frente foi a falta de um “comandante” que pudesse segurar o número de candidaturas registradas por integrantes do grupo. “Acabou o Centrão. Temos hoje oito candidatos. Que sinal vamos dar para o plenário?”, questionou um líder.

A divisão deve fortalecer Castro, ex-ministro da Saúde na gestão Dilma Rousseff, que não tem o apoio do Palácio do Planalto e deve angariar votos do PT, PCdoB e PDT, em razão de ter sido contra o impeachment da presidente afastada.

Também não está descartado o apoio ao peemedebista de parte da antiga oposição (PSDB, DEM e PPS), que vê em uma derrota do Centrão a possibilidade de se viabilizar na disputa de fevereiro de 2017, quando estará em jogo a Mesa Diretora e um mandato de dois anos à frente da Câmara dos Deputados.

O PSDB, por exemplo, tem negociado apoio agora para receber respaldo a um eventual candidato no próximo ano.

Série de vitórias. Caso seja derrotado hoje, o Centrão deverá colocar fim a um histórico de vitórias dentro da Casa. O grupo foi formulado por Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara, realizada em fevereiro de 2015.

Na ocasião, Cunha venceu com quase o dobro de votos o candidato do governo Dilma, Arlindo Chinaglia (PT-SP). À época, o placar foi de 267 votos para Cunha, 136 para Chinaglia e 100 para Júlio Delgado (PSB-MG), o terceiro colocado na disputa.

O potencial do grupo, capitaneado pelo deputado fluminense, foi posto à prova novamente durante a votação do processo de impeachment, ocorrido em abril deste ano. Com a ajuda dos principais líderes do Centrão, Cunha conduziu a sessão que aprovou o afastamento da petista da Presidência.

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