Wilton Junior / Estadão
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'Rachadinha e Queiroz não tendem a abalar quem apoia governo, a não ser que surja um fato novo'

Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, responde a três perguntas sobre o caso; veja

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 08h53

Três semanas após o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar a investigação sobre uma suspeita de “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o Ministério Público Estadual (MP-RJ) fez na quarta-feira, 18, pela primeira vez, uma operação ostensiva para procurar provas sobre eventuais crimes de lavagem de dinheiro e peculato neste caso.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Flávio, a seu ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz e a familiares de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

O cientista político e professor do Insper Carlos Melo responde a três perguntas sobre o assunto. Veja abaixo.

A operação acontece num momento em que o presidente Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tentam fundar um partido com forte discurso anticorrupção. Que impacto pode ter?

O caso já é conhecido há mais de um ano, quando o Estadão revelou o relatório. Não acho que esse tipo de questão atinja a base agora, mais do que já atingiu neste ano, até antes da posse inclusive. A popularidade do presidente caiu, ficou perto dos 30% e ali ficou. Ao longo do ano, o eleitor que se manteve resistente no apoio ao governo já tem essa informação, está conscientizado, familiarizado e informado de tudo. Ele já decidiu que o caso não é importante para ele. Rachadinha e Queiroz não tendem a abalar quem apoia o governo, a não ser que surja um grande fato novo.

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Que tipo de fato? Agora houve operação numa loja física do senador Flávio Bolsonaro...

Não temos como saber o que. Temos que aguardar desdobramentos. Quem não gosta de Bolsonaro desde sempre já está decidido sobre o caso. Quem poderia se descolar dele, já se descolou ao longo do ano.

A ação vem dias após o Supremo Tribunal Federal destravar as investigações...

A investigação parece ter se aprofundado depois da liberação do Supremo. Uma série de investigações paralisadas por decisão do presidente da Corte, inclusive este caso. Isso foi levado a plenário, o ministro relator tomou uma lavada por 8 a 2 e esta decisão liberou o MP para retomar a investigação que estava paralisada. Em algum momento o MP retomaria, não vejo por que não agora.

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