Racha tucano contamina aliados e ameaça oposição

Às vésperas da abertura do Congresso, DEM vive uma guerra fratricida entre a ala aecista de Rodrigo Maia e a serrista de Gilberto Kassab

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Derrotada nas eleições presidenciais e a dez dias da abertura do Congresso, a oposição consome sua energia brigando entre si. O velho racha do PSDB, que opõe o grupo mineiro de Aécio Neves ao paulista de José Serra, expandiu seus limites: o DEM vive uma guerra fratricida entre a ala aecista, de seu presidente Rodrigo Maia (RJ), e a serrista de Gilberto Kassab (SP).

 

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), diz que, nos primeiros dias de fevereiro, seu partido quer se reunir com o DEM e com o PPS para discutir os rumos da oposição no Parlamento. "Sozinhos, não temos condições de tocar a oposição", admite.

 

As lideranças do PSDB no Congresso já estão definidas: os novos comandantes das bancadas tucanas serão o senador Álvaro Dias (PR) e o deputado Duarte Nogueira (SP). Não houve disputa interna, mas nem por isto o quadro é de satisfação geral com a escolha. O futuro líder na Câmara é ligado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mas a ala serrista do partido o considera "light" demais.

 

O maior expoente do PSDB no Senado será Aécio Neves. A expectativa quanto à atuação do ex-governador de Minas, no entanto, é a de que, fiel ao estilo conciliador, ele também não fará uma oposição radical ao governo.

 

"Este governo não é novo nem está começando. É um governo de continuidade, entrando em seu nono ano", observa o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), em defesa da tese de que a presidente Dilma não deve contar com a tradicional trégua de cem dias, por parte da oposição.

 

Para dar subsídios aos deputados e senadores na tarefa de fiscalizar e combater o governo, a direção do PSDB está finalizando um relatório técnico detalhado sobre as debilidades da administração Lula em cada setor.

 

Rodrigo Maia diz que, para uma oposição mais eficaz, é importante haver convergência em ações do DEM e do PSDB. "Agora, mais do que nunca, precisamos estar juntos, a despeito das divergências, inclusive ideológicas", defende Maia, incluindo na proposta de união não só os tucanos, mas todas as forças oposicionistas. Em vez de se articular com o PSDB e o DEM, o PPS deve formar um bloco parlamentar com o PV, que é da base governista.

 

A expectativa do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, é a de que será possível atrair o PV para a oposição. Mas o interesse do PV é conquistar o comando da Comissão de Meio Ambiente para o deputado Zequinha Sarney (MA), filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado de Dilma.

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