Racha no acordo entre PMDB e PT no Rio cria incerteza

O fim do acordo do PMDB com o PT jogou ainda mais incerteza sobre o cenário eleitoral na cidade do Rio de Janeiro. O rompimento ocorreu por dificuldades dos peemedebistas em fechar alianças em outros municípios fluminenses. Pelo acordo, estimulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral (PMDB) tinha se comprometido a apoiar o candidato do PT a prefeito do Rio, o deputado estadual Alessandro Molon, que aparece nas pesquisas com menos de 3% de intenções de voto. O anúncio do rompimento foi feito pelo presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, do PMDB, na semana passada.Na ocasião do anúncio do rompimento, Cabral estava na Grécia com seu ex-secretário estadual de Esportes e Lazer, Eduardo Paes, e ainda não se pronunciou publicamente. Nos bastidores, seu apoio à candidatura de Paes é dado como certo. Picciani telefonou para Cabral elogiando Paes (que saiu do PSDB e se filiou ao PMDB para integrar o governo Cabral) e o qualificou de um ?soldado da legenda?, por não ter deixado o governo quando foi preterido por Molon no acordo com o PT. O diretório regional do PMDB vai se reunir na segunda-feira para discutir o assunto, mas a convenção só acontece no dia 22. Paes atualmente é da base eleitoral de Lula, assim como os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais para a Prefeitura do Rio de Janeiro, o senador Marcelo Crivella (PRB) e Jandira Feghalli (PCdoB). Paes, porém, não prima pela fidelidade. Foi um dos mais atuantes deputados federais da oposição na CPI dos Correios, quando estava no PSDB, e já foi também do PFL como aliado do atual prefeito Cesar Maia. Cientistas políticos ouvidos pela Agência Estado consideram que dificilmente Crivella ficará fora do segundo turno. "Ele está 12 pontos percentuais à frente da Jandira", compara o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), Geraldo Tadeu Monteiro. Para Monteiro, Jandira e Paes devem disputar a segunda vaga com outros três políticos, todos da oposição: Fernando Gabeira (PV-PPS-PSDB), Solange Amaral (DEM) e Chico Alencar (PSOL). ?O Eduardo Paes é muito competitivo, é muito lembrado pelos eleitores, mas tem problemas com o Garotinho (ex-governador, Anthony Garotinho, do PMDB) e o Cesar Maia?, afirma Monteiro. Os dois principais partidos nacionais, o PT e o PSDB, aparecem sem força no Rio. O PSDB, com a saída de Paes no início do governo Cabral, ficou sem um quadro próprio na disputa carioca, mas apóia o deputado federal Fernando Gabeira, do PV. O parlamentar verde está em terceiro lugar nas pesquisas mais recentes - feitas sem o nome de Paes - e próximo de Jandira.Cesar Maia, que nas últimas eleições nacionais chegou a ser cotado para candidato a presidente pelo seu partido, o então PFL, hoje chamado Democratas (DEM), enfrenta problemas como a má repercussão da epidemia da dengue no município e com uma campanha para que os moradores da cidade atrasem o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para após as eleições. Em pesquisa do IBPS, 41,9% dos entrevistados consideram sua administração ?ruim? ou ?muito ruim? e apenas 22,8% o avaliaram como ?bom? ou ?muito bom? no cargo. Em locais como a zona sul da cidade, o apoio do prefeito a Solange Amaral (DEM) chega a prejudicar a sua candidata à sucessão, de acordo com o presidente do IBPS. Oposição fraca"A oposição a Lula no Rio nestas eleições não existe. Está representada por Fernando Gabeira e Cesar Maia, mas os dois não têm nenhuma força política", diz o diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Marcus Figueiredo, desconsiderando Chico Alencar, que, como Gabeira, já foi do PT. Cesar Maia, obviamente, discorda e vê força eleitoral da oposição no município. ?A vaia (a Lula) no Pan 2007 é a sua marca?, argumentou em entrevista por e-mail à Agência Estado. De acordo com Maia, as eleições municipais no Rio têm importância ?zero? para as presidenciais de 2010, mas a de vereadores é importante para a formação de bancadas dos deputados federais. Maia não respondeu diretamente se sua saída do cargo fortalece Lula já que, como prefeito, sempre foi muito ativo na crítica ao governo petista. Respondeu apenas que ?um ano depois, é o PT que poderá perder a Presidência e eu estarei livre para mostrar que há muita publicidade e pouca coisa substantiva no governo Lula?. Gabeira, por sua vez, foi o deputado mais votado do Rio nas eleições passadas e também conta com o PPS, de Denise Frossard, em sua base. Figueiredo explica que Gabeira tem chance por estar em terceiro lugar nas pesquisas sem campanha nenhuma. E pondera: ?Mas ele é um candidato sem uma máquina e esta é uma eleição com três máquinas: a da Igreja Universal, com o bispo (licenciado) Crivella; a da Prefeitura, com Solange Amaral, e a do governo do Estado". A máquina do Estado, que pelo acordo rompido favoreceria Alessandro Molon, agora deve apoiar Paes. Figueiredo considera que o grupo de Garotinho e, em parte o PMDB, perdem força no Rio com o escândalo desencadeado pela prisão do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe da Polícia Civil no governo Garotinho, acusado de proteger a máfia de jogos no Estado. Lins foi solto por decisão polêmica da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

ADRIANA CHIARINI, Agencia Estado

07 de junho de 2008 | 10h35

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