'Racha do PSDB em SP é ensaio geral para 2010', diz analista

Para Marco Antonio VIlla, desfecho do impasse entre DEM e PSDB na capital é decisivo na disputa presidencial

Andréia Sadi, do estadao.com.br

18 de junho de 2008 | 17h42

A questão central do racha no PSDB paulista pela Prefeitura da cidade é o cenário das eleições em 2010, segundo a análise de Marco Antonio Villa, cientista político e professor da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Ele defende que a divisão pela primeira vez do partido tucano em São Paulo - que pode ter Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin como candidatos- é um "ensaio geral para 2010".  Veja Também:Ouça análise do cientista político  Calendário eleitoral das eleições deste ano   Veja a última pesquisa eleitoral sobre disputa em SP   "Eleições 2008 têm tudo a ver com 2010. O que está acontecendo está ligado às coligações que começam a ser ensaiadas em 2008 para serem efetivadas em 2010. Imaginava-se que Alckmin deixaria para 2010 sua candidatura para governo do Estado, mas surpreendeu, desmontando uma articulação que levaria coligação PSDB-DEM para prefeitura e esse apoio seria retribuído em 2010", disse ao estadão.com.br.  A ala do PSDB favorável ao apoio à candidatura de Kassab , em vez de Alckmin, sacramentou na terça-feira a disputa entre os dois nomes na convenção de domingo. Com 424 assinaturas de delegados com direito a voto no partido - eram necessárias 403 para encaminhar o documento -, a bancada de vereadores do PSDB protocolou no Diretório Municipal chapa que traz Kassab como candidato a prefeito. O cientista acredita que esta divisão beneficia outros dois personagens fora do racha: o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e a pré-candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy. "Aécio acha boa essa divisão para o seu projeto pessoal, porque ele não tem projeto partidário. Para Marta, a divisão do PSDB é extremamente favorável, acaba dando gás para sua candidatura, mas por incrível que pareça é que isso não permitiu que ela ampliasse o arco eleitoral da sua candidatura, e o Kassab acabou atraindo outros partidos, como o PMDB", explica.  Villa acredita que o governador José Serra está em uma situação difícil com o racha, já que terá que decidir em qual palanque subirá caso Alckmin e Kassab disputem a prefeitura. "Ele terá dois palanques, qual dos dois ele vai subir? Ele está numa sinuca, bastante complicado e isso não o favorece em 2010. Essa divisão o prejudica, porque se houvesse união em São Paulo, isso facilitaria sua candidatura", conclui.

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