Racha de aliados deve tirar Lula de palanques nas capitais em 2008

Legendas da coalizão pretendem lançar candidaturas próprias em Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Rio

Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

A menos de um ano das eleições municipais, os partidos da coalizão em torno do governo estão em guerra em várias capitais por causa do lançamento de candidaturas próprias para as prefeituras. Com isso, dificilmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente nas eleições de cidades importantes, como Rio, Porto Alegre, Fortaleza e Recife. Em São Paulo, apesar da divisão na base, Lula deverá participar da campanha, pois a tendência é repetir a disputa nacional, com polarização entre seus aliados e adversários.Se já é difícil conciliar os interesses dos partidos da aliança nacional, em Porto Alegre e Fortaleza é praticamente impossível. Na capita gaúcha, a disputa envolverá o PMDB do prefeito José Fogaça - que tentará a reeleição -, o PT, o PP e o bloco PSB-PC do B-PSB, todos partidos da base de Lula. Concorrem pela oposição o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni, e a deputada Luciana Genro (PSOL).Na capital do Ceará, a briga entre aliados já levou a senadora Patrícia Saboya do PSB para o PDT. Vai enfrentar a prefeita Luizianne Lins (PT). Como o governador Cid Gomes (PSB) apoiou a prefeita, Patrícia trocou de legenda para sair candidata e poderá ter apoio, ainda que informal, do senador tucano Tasso Jereissati. O PSDB ainda estuda apoiar o ex-deputado Moroni Torgan (DEM)."Em muitas cidades temos disputas inegociáveis entre partidos da base. O governo deve ter sabedoria onde há conflito para não trazer animosidades em nível nacional, o que seria o pior dos mundos", diz o deputado Beto Albuquerque (PSB), pré-candidato em Porto Alegre.Outros dois deputados disputam a indicação do bloco: Manuela D?Ávila (PC do B) e Vieira da Cunha (PDT). "Essas disputas são naturais. No primeiro turno, Lula deve ter muita reserva", avalia Albuquerque.IMBRÓGLIONo Recife, o PP deverá apoiar o deputado Carlos Eduardo Cadoca, que trocou o PMDB pelo PSC. O PT terá candidato - o prefeito João Paulo (PT) quer emplacar o secretário João da Costa, mas o grupo do ex-ministro Humberto Costa prefere os deputados Maurício Rands ou Pedro Eugênio. Há, ainda, a possibilidade de o PC do B ou o PSB lançarem candidaturas."Pernambuco sempre teve a tradição de coligações, mas agora aflorou com muita força a tendência por candidaturas próprias", diz o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Concorrem ainda no Recife Mendonça Filho (DEM), ex-vice-governador, o deputado Raul Henry (PMDB), o deputado Raul Jungmann (PPS) e o deputado estadual Pedro Eurico. Jungmann ainda acha possível unir PMDB, PPS, PSDB e PV.Em Curitiba, o prefeito Beto Richa (PSDB) é candidato à reeleição com grandes chances de vitória, mas sabe que será grande a influência do presidente no palanque da petista Glesi Hofman, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Não creio que ela atrapalhe a reeleição, mas evidentemente vai crescer, com o apoio ostensivo do presidente", reconhece o senador tucano Álvaro Dias.Um capítulo à parte é no Rio. O PMDB está conflagrado por causa da decisão do governador Sérgio Cabral, aliado de Lula, de filiar o ex-tucano Eduardo Paes para enfrentar a candidata do prefeito Cesar Maia, deputada Solange Amaral (DEM). Os grupos do ex-governador Anthony Garotinho e do deputado estadual Jorge Picciani resistem.SAIA JUSTAMesmo que Cabral vença a briga, Lula continuará numa saia justa: o PT terá candidatura própria e há ainda outros dois pré-candidatos na base: a ex-deputada Jandira Feghali (PC do B) e o senador Marcelo Crivella (PRB). A disputa deverá ter, ainda, os deputados Chico Alencar (PSOL) e Otávio Leite (PSDB).A ferrenha oposição do DEM será esquecida em Nova Iguaçu. O prefeito Lindberg Farias (PT) concorrerá à reeleição com o deputado Rogério Lisboa (DEM) como vice. Em Natal, o DEM avalia apoio a outro aliado de Lula, o PMDB. Outra opção seria se unir à deputada estadual Micarla de Souza (PV). O senador Garibaldi Alves (PMDB), embora lembrado, resiste a se candidatar. Deve também ter candidato o PSB da governadora Wilma Faria e o PT.Em Belo Horizonte, a sucessão está sendo negociada entre o governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista Fernando Pimentel. O problema é que o PT não encontrou um nome de peso e surge o nome do deputado estadual João Leite (PSB). "Se tiver um acordo, ninguém vai ficar sabendo, porque é acordo de mineiros", diz Pimentel. FRASESBeto AlbuquerqueDeputado (PSB-RS)"O governo deve ter sabedoria onde há conflito para não trazer animosidades em nível nacional, o que seria o pior dos mundos"Jarbas VasconcelosSenador (PMDB-PE)"Agora em Pernambuco aflorou com muita força a tendência por candidaturas próprias"

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