R$ 700 milhões da Sudam foram para o exterior

Após quase cinco anos de investigação das fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), procuradores da República e a Polícia Federal (PF) conseguiram documentos que revelam que, do R$ 1,3 bilhão desviado, pelo menos R$ 700 milhões foram remetidos, ilegalmente, para paraísos fiscais, Estados Unidos e Suíça.Os investigadores acreditam que o dinheiro foi lavado no exterior e voltou ao País de forma legal. "Descobrimos lavanderias em vários países, que estavam sendo operadas do Brasil", disse um dos procuradores.O cálculo é que a remessa ilegal tenha chegado a R$ 16 milhões no caso da Usimar Componentes Automotivos, projeto do Maranhão que recebeu R$ 44 milhões e nunca saiu do papel. O responsável pela Usimar, o empresário paranaense Teodore Hübner Filho, deu novo depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) nos últimos dias no Tocantins. Os investigadores suspeitam de que Jorge Murad, marido da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PFL), interferiu na Sudam para a implantação do projeto em São Luís."Nossa previsão é que pelo menos 40% dos recursos desviados da Usimar podem ter ido para o exterior", disse o procurador da República no Tocantins Mário Lúcio de Avelar. Segundo ele, tomaram esse caminho pelo menos 45% dos recursos desviados de outros projetos financiados pela Sudam.Para auxiliar no rastreamento, foi chamado o auditor do Banco Central (BC) Abrahão Patruni Júnior, que apontou irregularidades do ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) no Banco do Estado do Pará (Banpará), quando era governador, de 1987 a 1992. No caso Sudam, Patruni Júnior identificou o caminho usado pelo dinheiro da Usimar. "Os recursos foram enviados para o Uruguai e, em seguida, para as Ilhas Virgens Britânicas", disse."O que estamos fazendo agora é só levantar os valores que devem ser repatriados", diz o procurador da República em Mato Grosso José Pedro Taques. "As lavanderias eram muito bem distribuídas para que o dinheiro retornasse ao Brasil, legalmente, mas de diversos pontos, para não provocar suspeita de que era lavado", afirma outro procurador.Na última sexta-feira, o empresário Amaury Cruz dos Santos, acusado de intermediar algumas das fraudes, foi preso em Curitiba e levado para Palmas. O depoimento dele é mantido em sigilo. Os investigadores apuram se ele tem alguma relação com Murad ou com Jader.

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