Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

R$ 100 mil para posto que é contestado por usuários

Moradores preferem construção de novo consultório à reforma da atual unidade

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 05h00

BRASÍLA - As 200 famílias que vivem no povoado Firmeza, na zona rural da cidade de Orizona (GO), são atendidas há cerca de dois meses em um posto de saúde improvisado. As consultas são feitas numa sala acanhada e quente, emprestada pelo centro comunitário da região. Ali não há telefone nem pia para higienizar as mãos. Antes de examinar os pacientes, o médico tem de se deslocar até o único banheiro existente do local.

“Se está ocupado, o remédio é esperar”, resume a técnica de enfermagem Luciene de Sousa Tiago. Vacinas não são mais aplicadas, já que não existe uma geladeira para guardar o material. Para imunizar as crianças, é preciso enfrentar 25 quilômetros de uma estrada de terra castigada pelos buracos até o posto da cidade.

Para quem defende mudanças na atual prática de destinação de emendas parlamentares, Firmeza é só mais um exemplo do que acontece em diversas outras localidades do País. 

O desconforto da sala e as consequentes dificuldades no atendimento, por si só, inquietam a comunidade de Firmeza. Mas os problemas ganham dimensões ainda maiores quando se leva em conta que há um ano foi liberada a quantia de R$ 100 mil de emenda parlamentar para a reforma do posto da região. “Sabe o que é pior? Mesmo se o dinheiro fosse liberado e a obra, iniciada, tenho minhas dúvidas se isso funcionaria”, diz Luciene. Zelador do posto de saúde, José Donizette fala que “as rachaduras do posto são grandes demais. “Dizem que a construção foi feita de forma errada.”

Para moradores, o melhor seria se o dinheiro tivesse vindo para a construção de um novo posto, e não para a reforma da atual unidade. “Sabe remendo em tecido apodrecido?”, compara a moradora Luiza de Jesus Souza. 

Secretaria. Enquanto o dinheiro da reforma não vem, integrantes da comunidade buscam alternativas. Como dirigir o dinheiro da reforma para uma outra casa, onde antes funcionava um laticínio. A secretária de Saúde de Orizona, Marilda das Dores Pereira, atribui a demora na aplicação dos recursos a uma inconformidade na descrição da emenda. O ideal era que a verba fosse endereçada para reforma do posto. Mas, oficialmente, o recurso foi destinado para “ampliação” da unidade.

“Isso acabou levando a uma discussão se podia ou não liberar a verba e todo processo parou”, disse ela. A cidade, que fica a 138 quilômetros de Goiânia, havia recebido ao todo R$ 300 mil para reforma de postos de atendimento. “Nas três unidades o problema foi o mesmo e o início das obras foi adiado.” Marilda garante que na próxima semana o impasse terá sido resolvido e a licitação será lançada.

Inaugurado em 2008, o posto passou por uma reforma em 2012, já por causa das rachaduras. “Uns buracos foram tampados, mas pouco tempo depois, o problema voltou”, conta o zelador. Como a situação se agravou, a casa foi interditada há dois meses.

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