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'Quis dizer que nem todos os militares cometeram crimes', afirma Salles

Secretário particular de Alckmin nega ter colocado em dúvida a existência de crimes durante a ditadura

SÔNIA RACY, O Estado de S. Paulo

03 Abril 2013 | 23h30

SÃO PAULO - Secretário particular do governador tucano Geraldo Alckmin, o advogado Ricardo Salles, ligado ao Movimento Endireita Brasil, disse nesta quarta-feira, 3, em entrevista ao Estado que não quis colocar em questão a existência de crimes durante a ditadura ao afirmar, numa palestra a militares feita no ano passado, que ninguém acima de 80 anos seria preso “por crimes de 64; se é que esses crimes existiram...”. Segundo Salles, o que ele quis dizer é que nem todos os militares cometeram crimes. “Nunca neguei que houve crimes na ditadura.”

O sr. acompanhou Alckmin no evento em que foi anunciada a digitalização de 1 milhão de documentos da ditadura militar. Se nega a existência de crimes na ditadura, o que foi fazer lá?

Nunca neguei que houve crimes na ditadura. E nunca me opus a que as verdades fossem reveladas. Ao contrário, sempre insisti para que os militares fossem voluntariamente à Comissão da Verdade e dessem um testemunho completo, sem censura, sobre o que vivenciaram no período.

Mas o sr. deu a seguinte declaração: “Não vamos ver generais e coronéis presos por crimes de 64. Se é que ocorreram”. O sr. mudou de ideia então?

Não mudei de ideia. Estava me dirigindo a um público acima de 80 anos, cuja punibilidade – por crimes que alguns deles eventualmente tenham praticado – já estaria prescrita por decurso de prazo. Usei esse argumento, aliás, como incentivo para que eles fossem à Comissão da Verdade para dizer tudo o que sabem do período.

Mas em evento no Rio o sr. colocou em dúvida que esses crimes de fato tenham acontecido.

Não há dúvida de que ocorreram crimes no período militar. Isso não quer dizer que todos os militares cometeram crimes. Foi exatamente isso o que quis dizer naquele evento.

Qual é o seu problema com a Comissão da Verdade?

Entendo que todos os lados devem prestar as informações sobre as ações que praticaram, e não apenas os militares. E aqui não estou querendo equiparar uma ação a outra nem fazer um juízo de valor sobre quem está certo ou errado. Trata-se apenas de um mecanismo essencial à busca da verdade.

E o caso Rubens Paiva?

É claro que ele foi assassinado pelo regime militar, e eu nunca disse o contrário.

O Movimento Endireita Brasil, do qual o sr. faz parte, chamou a presidente de terrorista. O sr. corrobora o adjetivo?

Eu nunca chamei a presidente Dilma de terrorista. A posição que sempre adotei foi contrária à utilização dos mecanismos de busca da verdade como revanchismo.

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