Quintão espera que governo libere R$ 300 milhões

O governo federaldeve liberar R$ 300 milhões do Orçamento bloqueado das Forças Armadas. Essaexpectativa foi manifestada nesta sexta-feira pelo ministro da Defesa, Geraldo Quintão, após reunião do presidente Fernando Henrique com a equipe econômica no Palácio daAlvorada. O aperto financeiros nos ministérios militares levou o Ministério do Exército apropor ao presidente da República a dispensa de 44 mil recrutas do contingente de 52mil alistado em março último para o serviço militar obrigatório.As três Forças - Exército, Marinha e Aeronáutica ?e o Ministério da Defesa tiveram R$ 2,175 bilhões de recursos contigenciados no Orçamento deste ano. Ou seja, do total deR$ 5,224 bilhões previstos no Orçamento das Forças Armadas e do Ministério daDefesa, foram liberados até agora R$ 3,050 bilhões.?Há a expectativa de liberação de limite financeiro de até R$ 300 milhões?, disse nesta sexta o ministro Quintão, por meio de sua assessoria de imprensa. O Exército foi a Força maisatingida pelo contingenciamento de recursos orçamentários: do total de R$ 1,381 bilhãoprevisto para investimento e custeio, o governo liberou até agora R$ 802 milhões ? R$579 milhões estão contingenciados.Daí a proposta de manter apenas oito mil recrutaspelo período integral do serviço militar, que vai de nove meses a um ano.A Marinha vem em seguida, no corte de gastos: do total de R$ 1,060 bilhão, R$ 624milhões foram liberados e R$ 436 milhões estão contingenciados. A Aeronáutica foi aForça privilegiada na liberação de verbas. Do total de R$ 2,161 bilhões de seuorçamento para investimento e custeio, apenas R$ 703 milhões estão contigenciados ?houve a liberação de R$ 1,458 bilhão.Já o Orçamento do Ministério da Defesa previa R$ 623 milhões de gastos, incluindorecursos de R$ 360 milhões para o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), masforam liberados até agora apenas R$ 166 milhões ? ou seja, um contingenciamento deR$ 457 milhões.A expectativa de liberação de R$ 300 milhões para as Forças Armadas não interrompe,por ora, a proposta do Ministério do Exército de dispensar os recrutas, mas essadecisão terá a palavra final do presidente Fernando Henrique. Se ele aceitar a proposta,o Exército vai economizar com refeição e pagamento de salário mínimo para os 44 milrecrutas.Também para reduzir gastos, o comando do Exército já decidiu adiar por 60 dias aconvocação de 18 mil novos recrutas e reduzir o horário de funcionamento deorganizações militares. Além disso, os recrutas estão sem receber auxílio-transportedesde junho por falta de recursos.Nesta sexta, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional daCâmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), divulgou nota condenando os cortes degastos no Orçamento das Forças Armadas. Rebelo considerou ?chocantes? os cortesimpostos pelo governo ?aos já parcos recursos? das Forças Armadas e alertou para ?asconsequências não de todo imprevisíveis na coesão, unidade e disciplina militares?.?O contingenciamento de recursos pode comprometer, inclusive, a própria missãoconstitucional das Forças Armadas. O Brasil tem 15.800 quilômetros de fronteiras, umimenso espaço aéreo e um grande mar territorial que merece a vigilância do Exército,da Marinha e da Força Aérea?, afirmou Rebelo, ao prometer empenhar-se junto aogoverno federal na liberação de verbas para as Forças Armadas.

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