Quintanilha recua e tentará unificar processos contra Renan

Presidente do conselho admite juntar duas das três representações que restam contra o senador

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, do Estadão,

24 Setembro 2007 | 23h05

O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), admitiu que vai trabalhar para tentar unificar pelos menos duas das três representações em curso contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na reunião desta quarta-feira do órgão. Na semana passada, Quintanilha tinha se posicionado contra a possibilidade de junção dos processos. Nesta segunda, porém, salientou que a unificação poderá agilizar as investigações.   Veja Também:  Entenda o que é a cobrança do 'imposto do cheque' Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   A medida, segundo ele, também resolveria outro problema: a dificuldade de encontrar relatores para os processos. "Encontrar um único relator já está difícil, imagina encontrar um para cada processo", ponderou. A posição de Quintanilha tem o apoio de alguns senadores, mas não é bem vista pela oposição.  Segundo Quintanilha, poderiam ser unificadas as representações de número três e quatro contra Renan e que tratam, respectivamente, da acusação de compra de rádios e jornal por meio de laranjas e a de coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB. "Unificar a representação da Schincariol seria difícil porque ela já está em outro estágio", afirmou o presidente do Conselho de Ética, referindo-se às investigações sobre o suposto favorecimento da cervejaria, por intermédio de Renan, junto ao INSS e à Receita Federal. A posição de Quintanilha tem o apoio de alguns senadores, mas não é bem vista pela oposição. A reunião do conselho nesta quarta-feira foi marcada para analisar o parecer do relator João Pedro (PT-AM) exatamente sobre o processo relacionado à Schincariol.  João Pedro já avisou que pretende pedir sobrestamento da matéria diante de um consenso de que seria melhor esperar os resultados das investigações que a Câmara dos Deputados está fazendo sobre a mesma denúncia.    O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse nesta segunda-feira, 24, que enquanto o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) permanecer na presidência da Casa fica difícil o Senado se recuperar e aprovar a CPMF.  "O clima é o pior possível para aprovar qualquer matéria que exija quorum qualificado, caso de emenda constitucional", disse Tião Viana a jornalistas, ao deixar o plenário do Senado. Segundo o senador petista, está muito difícil recompor o Senado e construir um "ambiente ameno". "O impasse está na permanência do presidente Renan na Casa", afirmou.  O senador negou qualquer acordo para absolver Renan dos processos ainda em curso contra o presidente da Casa no Conselho de Ética em troca do afastamento dele até a votação da CPMF. "O noivo e o padre esqueceram de combinar com a noiva", disse ele, afastando a existência de qualquer tipo de arranjo. Ainda nesta segunda-feira, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), encaminhou ao Conselho de Ética toda a documentação sigilosa que colheu em relação ao terceiro processo a que responde Renan no órgão.  Nessa representação, o DEM e o PSDB solicitam a apuração de denúncia publicada pela revista Veja de que Renan teria comprado, em parceria com o usineiro João Lyra, duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, mas por meio de "laranjas" e sem declarar à Receita Federal. Advogado de Renan Na última sexta-feira, foi divulgado o afastamento do advogado Eduardo Ferrão do caso Renan. Ferrão diz que a saída "já estava combinada" e que ele e o senador se tornaram "amigos". O advogado foi responsável pela defesa do peemedebista no primeiro processo que resultou em sua absolvição no Senado. Renan era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista.  Ainda pesam sobre Renan as acusações de ter recebido propina para facilitar a negociação de uma dívida da cervejaria Schincariol com o INSS e as denúncias do advogado Bruno Lins de que o presidente do Senado participava de um esquema de corrupção em ministérios do PMDB.  Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal enviou para o Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o processo envolvendo a primeira denúncia contra o senador, do qual já escapou no Congresso. Caberá ao Ministério Público decidir se formaliza ou não a acusação.

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