Quintanilha recebe parecer que pode pôr fim a caso Renan

O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), confirmou nesta segunda-feira, 2, por meio de sua assessoria, que está de posse de dois pareceres sobre o processo no colegiado contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL): um elaborado pela Consultoria Legislativa do Senado e outro, pela Advocacia Geral da Casa. A assessoria de Quintanilha disse ainda, segundo a Agência Senado, que o senador pode convocar uma entrevista até o final desta segunda-feira para tratar do assunto.Os dois pareceres podem servir para pôr fim ao processo contra Renan no Conselho de Ética, sem que haja investigação do caso. A idéia é mostrar que não existe processo por decoro, mas suspeita de que o senador tenha cometido irregularidades financeiras e tributárias, o que autorizaria o Senado a remeter o assunto para o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem competência para mandar investigar parlamentares.Outra manobra para tentar arquivar o processo é insistir para que o Senado reconheça a interpretação jurídica de que a representação do PSOL não deveria ter sido enviada ao conselho por uma decisão isolada do próprio Renan, pois caberia à Mesa Diretora analisar o caso e tomar ou não essa iniciativa. Foi Renan que dispensou essa análise da Mesa para mostrar que não temia a abertura de processo e nada tinha a esconder.Renan é alvo de investigação no conselho por suspeita de que teve despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Os R$ 12 mil reais mensais eram entregues à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha fora do casamento. Conselho de ÉticaO Conselho de Ética do Senado se reúne nesta terça-feira para discutir a votação do processo contra Renan. Até lá, os partidos também devem decidir se vão ou não pedir o afastamento do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) do comando do conselho. Ele enfrenta processo no STF, por suspeita de corrupção. O PDT já avisou que pretende pedir formalmente o afastamento do peemedebista do posto. Para o partido, não há condição de um conselho de ética ser comandado por alguém acusado por corrupção. Também nesta terça-feira o PSDB reunirá sua bancada para tentar fechar um pedido de afastamento de Renan da presidência do Senado. A intenção, segundo o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), é deixar claro a Renan que a oposição não mais apóia sua permanência no mais importante cargo do Legislativo. Em nota, o PSDB já pediu o afastamento de peemedebistas do comando do Conselho de Ética. O DEM já pediu que Renan se afaste do cargo. Já o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal vai discutir nesta segunda-feira que medida deve adotar em resposta à denúncia de que alguns votos do tribunal podem ter sido comprados na decisão, tomada em outubro, que absolveu o ex-governador e senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) no processo em que era acusado de usar uma empresa pública para fazer campanha eleitoral. O PSOL, autor da representação contra Renan, também entrou com representação contra o senador Roriz por quebra de decoro, alegando que as explicações não são suficientes e o desconto do cheque precisa ser investigado. Roriz aparece nas escutas da Operação Aquarela negociando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura.Integrantes do comando do PMDB já se preocupam com os desdobramentos políticos das investigações feitas contra Renan e Roriz, dois peemedebistas. (Colaboraram Cida Fontes e Ana Paula Scinocca)

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