Quintanilha é o principal articulador de manobras

Apesar de atrair menos os holofotes do que o senador Almeida Lima (PMDB-SE), é o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), quem articula a estratégia em favor do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Graças às suas manobras, Renan e sua tropa de choque devem conseguir arrastar até o fim do ano os processos contra ele no colegiado.Quintanilha suspendeu, por exemplo, por quase um mês as atividades do conselho. Também costuma dar declarações contraditórias, como afirmar que estavam excluídos para relatar o terceiro processo contra Renan (o que aponta compra de duas rádios e um jornal em nome de laranjas) integrantes do DEM, do PSDB - autores da denúncia - e do PMDB de Renan. Poucos dias depois, negou que tenha dito o que disse e escolheu para o cargo o peemedebista Almeida Lima. "Leomar faz um papel aparentemente tranqüilo, mas é o principal desagregador do Conselho de Ética com suas decisões estapafúrdias", critica Demóstenes Torres (DEM-GO), que cita como exemplo a tentativa de unificar processos, mesmo sabendo que o plenário não aceitaria a proposta. "Ele solta uma barata voando no meio do conselho, tumultua tudo e, ao perder mais uma reunião, vai ganhando tempo para atrasar o máximo possível a conclusão das investigações."Discreto e com fala mansa, Quintanilha é paciente. Faz que não entende quando é acusado de manobrar em favor de Renan e, invariavelmente, elogia os senadores do conselho, sobretudo os mais ácidos contra ele. "Se todas as decisões do presidente do conselho forem questionadas, os membros podem substituí-lo", diz, em resposta aos críticos.Entre suas estratégias está a de suspender reuniões previamente marcadas, ficar incomunicável no Tocantins e até alegar um mal súbito.

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