Quintanilha convida relator para 5º processo contra Renan

O presidente do conselho não revela o nome do parlamentar; órgão estende prazos para desfecho dos casos

Agência Senado

17 Outubro 2007 | 13h43

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO),disse nesta quarta-feira, 17, já ter feito convite a um parlamentar para relatar o quinto processo contra o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e que ele teria, inclusive,concordado. No entanto, Quintanilha não quis revelar o nome desse parlamentar.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Funasa suspende repasse a Murici, clã de Calheiros   Durante reunião do colegiado nesta manhã- que decidiu estender os prazos para decisão dos casos envolvendo Renan- o presidente do conselho pediu celeridade no andamento dos trabalhos relacionados aos processos, "desde que não haja açodamento que venha a comprometer os três relatórios".   O senador Jefferson Peres (PDT-AM), relator do quarto processo , anunciou que irá apresentar seu relatório até o dia 15 de novembro. Peres disse que ainda precisa analisar a defesa prévia de Renan, além de tentar ouvir a principal testemunha do caso, o usineiro e ex-deputado João Lyra.   O conselho se reuniu nesta manhã para definir o cronograma de trabalho em relação aos quatro processos que Renan responde por quebra de decoro parlamentar. O presidente do conselho queria a entrega dos relatórios até o dia 2 de novembro.   Lyra já disse que não pretende ser acareado com Renan. Ele prontificou-se a colaborar com a investigação, desde que não tenha de ir ao Conselho de Ética. Alegou problemas de saúde e idade avançada. Segundo seu advogado, Lyra concorda em prestar depoimento a portas fechadas ou por escrito.   Já o relator da representação referente ao caso Schincariol, senador João Pedro (PT-AM), anunciou que concluirá os trabalhos até o dia 5 de novembro. Ele informou que está aguardando apenas o envio de documentos pela Polícia Federal e respostas a um conjunto de perguntas que fez à direção da cervejaria Schincariol.     Barganha   Ameaçado de cassação e decidido a salvar o seu mandato, Renan, licenciado por 45 dias, já está negociando a sua cadeira com o governo, o PT e o próprio PMDB. Ele indicou para o Palácio do Planalto que, a depender do desdobramento de seus quatro processos no Conselho de Ética, está disposto a renovar a licença de 45 dias, de forma a permitir que o vice Tião Viana (PT-AC) fique no posto de presidente da Casa até o fim do ano. Tudo para facilitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas Renan quer, em contrapartida, a bancada do PT alinhada na sua defesa.   A idéia é evitar qualquer movimento que tumultue o ambiente político do Senado, para garantir condições favoráveis ao governo na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Nesse contexto, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), declarou ontem, diante dos presidentes e líderes de partidos aliados e de oposição: "Não há renúncia. O Renan tirou licença."   "Eu conversei com Renan e vi que ele está disposto a dar a sua contribuição em duas frentes: na celeridade da apuração das denúncias e na conclusão das votações de interesse do governo, em especial a CPMF", disse Gilvan Borges (PMDB-AP). "A contrapartida é que a base esteja junto dele e o PT feche com ele. Como a oposição deu sinal de que os ataques não param, ele colabora e o governo o ajuda."   A oposição não lançará candidato à sucessão de Renan, caso ele deixe de vez a presidência do Senado. Embora tenham planejado entrar na briga para tomar do governo o comando do Congresso, apoiando um peemedebista independente como os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), PSDB e DEM desistiram do confronto.   Ambos reconhecem que é do PMDB a primazia na indicação do candidato, mas impõem condições para evitar contestação. "Não aceitaremos pau mandado nem um nome que rebaixe o Senado. Queremos um presidente altivo, que represente a Casa", insiste o líder do DEM, Arthur Virgílio.

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