Quintanilha adia decisão de relatoria de 4º caso Renan

Entre os aliados do senador, a torcida era que outro integrante da tropa de choque fosse indicado

AE, Agencia Estado

03 de outubro de 2007 | 20h28

Protagonista da cena preparada para empurrar com a barriga os processos contra o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), voltou atrás e não nomeou nesta quarta-feira, 3, como prometera na véspera, o segundo relator do processo contra ele. Enigmático, Quintanilha apenas disse que sondara um senador para o cargo.  Veja também: Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   Entre os aliados de Renan, a torcida era que o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) fosse indicado para dividir com o senador Almeida Lima (PMDB-SE) - integrante da tropa de choque de Renan - a relatoria no Conselho de Ética dos terceiro e quarto processos por quebra de decoro parlamentar. De acordo com fontes, Arruda, também defensor de Renan, integraria o Conselho de Ética na vaga deixada com o afastamento do senador Epitácio Cafeteira (PMDB-MA). A entrada do senador do PC do B de Pernambuco no conselho depende, porém, de uma indicação da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), em nome do bloco governista.  Na última terça, o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu recuar da decisão de unificar as representações de número três (que trata da suposta compra de duas rádios e um jornal por intermédio de laranjas) e 4 (que aponta suposta coleta de propina em Ministério do PMDB). Quintanilha afirmou que o senador Almeida Lima irá relatar um dos processos.  O gesto atendeu a oposição, que se posiciona contra a relatoria de dois casos na mão do senador Almeida Lima (PMDB-SE), integrante da tropa de choque de Renan. Quintanilha, por outro lado, sinalizou que os relatórios não devem ser votados este ano.  O presidente do conselho deu prazo preliminar de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, para que os dois relatores façam pareceres sobre os respectivos processos. E não deu nenhuma garantia de que as duas representações venham a ser julgadas ainda este ano. "Eu não dou garantia nenhuma. Tudo vai depender dos relatores", afirmou.  Ele ressaltou que só resolveu desmembrar as duas representações diante do apelo da maioria dos senadores. A terceira representação trata da denúncia de que Renan usou "laranjas" para compra de emissoras em Alagoas e a quarta se o senador peemedebistas participou de um esquema de pagamento de propina envolvendo ministérios do PMDB.  Também na última terça-feira, o relator do segundo processo, senador João Pedro (PT-AM), afirmou haver a necessidade de que sejam feitas diligências para aprofundar a investigação das denúncias que apontam suposto favorecimento da cervejaria Schincariol por intermédio de Renan e adiou a votação de seu parecer.  A polêmica que tomou conta da reunião também impediu a votação do relatório de João Pedro, sobre o caso Schincariol, que já havia adiantado que pediria o sobrestamento (paralisação) do processo no Senado até o fim da investigação na Câmara por conta do envolvimento do deputado e irmão de Renan Olavo Calheiros. A primeira acusação contra Renan, da qual foi absolvido, era a de que teve despesas pessoais pagas por um lobista.  

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