Ed Ferreira/AE - 29.12.2011
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Quilombolas baianos aproveitam férias de Dilma em Salvador para protestar

Grupo de cerca de 50 pessoas para denunciar supostos atos de violência da Marinha contra a comunidade Rio dos Macacos

Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2012 | 12h54

SALVADOR - Com instrumentos de percussão e faixas, cerca de 50 integrantes da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho (BA), na região metropolitana de Salvador, aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff na Base Naval de Aratu, na Praia de Inema, em Salvador, vizinha à área do quilombo, para promover um bumba-meu-boi de protesto contra a Marinha. De acordo com os quilombolas, oficiais têm promovido atos de violência contra os moradores da comunidade, tentando pressionar os habitantes a deixar o local.

 

Os manifestantes reuniram-se, no fim da manhã de desta segunda-feira, 2, ao lado do muro que separa a Praia de Inema, exclusiva para os militares, e a de São Tomé de Paripe. No local, gritaram palavras de ordem, como “Presidenta, cadê você? Com a Marinha, quilombola não aguenta." "A gente veio pedir socorro à presidente”, conta a líder da comunidade, Rose Meire dos Santos Silva, de 33 anos. “Os militares ameaçam até crianças com as armas da Marinha."

 

Parte da área onde a comunidade está instalada, segundo os moradores, há cerca de 200 anos, é disputada judicialmente pela Marinha, que pretende usar o local para ampliar as instalações da base naval. Em outubro de 2010, a 10ª Vara Federal da Bahia determinou, por meio de liminar, a desocupação de 43 imóveis do quilombo. A área na qual eles estão localizados foi cercada pela Marinha e a entrada e saída dos moradores passou a ser monitorada.

 

Um ano depois, porém, a área foi oficialmente declarada comunidade quilombola, com publicação no Diário Oficial da União em 4 de outubro, e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, solicitou que a Procuradoria Geral da União (PGU) interviesse no caso. No início de novembro, o Tribunal de Justiça da Bahia suspendeu a execução da liminar, que estava em fase de cumprimento coercitivo, e deu prazo de mais quatro meses, a partir de 4 de novembro, para negociações.

 

O estadão.com.br entrou em contato com o 2º Distrito Naval de Salvador, mas o órgão informou que, em razão do expediente de fim de ano, a assessoria de comunicação só volta a funcionar na quarta-feira, 4, e não se manifestaria sobre o protesto.

 

Alheia à manifestação, a presidente ignorou a manhã ensolarada na orla de Salvador e não apareceu na Praia de Inema até o início da tarde. Segundo relatos de barqueiros e pescadores da região, Dilma tem passeado por ilhas da Baía de Todos os Santos, em lanchas da Marinha. A informação, porém, não é confirmada pela assessoria da presidente.

 

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