Questionário de risco cirúrgico é adaptado para o Brasil

Após três anos de estudo, pesquisadores do Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL) criaram um sistema de medição de risco cirúrgico específico para a realidade brasileira. Atualmente, são usados no país apenas questionários elaborados nos Estados Unidos e na Europa.Segundo o coordenador de Ensino e Pesquisa do instituto, Bernardo Tura, os sistemas americano e europeu são inadequados para fazer uma medição precisa no Brasil, já que características próprias dos males cardíacos no país não são levados em conta. "Aqui a incidência de doenças na válvula do coração é muito maior. E isso se deve, prioritariamente, em decorrência da febre reumática, que não existe mais nos Estados Unidos e na Europa", explica o pesquisador.Apresentado anteontem em um congresso da American Heart Association, o sistema é composto por um questionário de seis perguntas, relacionadas, por exemplo, à idade, sexo, índice de massa corporal e medidas apresentadas no ecocardiograma do paciente. As perguntas são respondidas pelo médico, a partir de exames e entrevistas com realizadas com o portador da doença.Tura explica que, quanto maior o número de escores obtidos no questionário, maior o risco cirúrgico. "É muito importante termos esse instrumento na hora de decidirmos se devemos ou não realizar a intervenção", afirmou.O estudo foi realizado durante três anos e o objetivo é ampliá-lo para analise de outros pontos. O sistema já está em uso há oito meses no Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras e, segundo Tura, pode ser repassado, sem custos, para qualquer unidade médica que tenha interesse em adotá-lo.

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