Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro chama ativista Greta Thunberg de ‘pirralha’

Principal nome da causa ambiental na atualidade, sueca de 16 anos disse que índios do Brasil morrem ao defender florestas

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 10h36
Atualizado 10 de dezembro de 2019 | 21h13

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro chamou nesta terça-feira, 10, a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, de “pirralha”, ao responder a uma pergunta sobre o assassinato de dois indígenas no Maranhão. No domingo, Greta – um dos principais nomes na articulação contra os efeitos das mudanças climáticas no mundo – disse que os povos indígenas do Brasil estão sendo assassinados por proteger as florestas. 

“Qual o nome daquela menina lá, lá de fora? Tabata, como é? Greta. Já falou que índios estão morrendo porque estão defendendo a Amazônia. Impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, uma pirralha”, disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada, onde costuma parar para fazer selfies com apoiadores e falar com a imprensa.

Horas depois, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros disse que, “do ponto de vista gramatical”, a declaração de Bolsonaro “não foi inadequada”. “Sob ponto de vista gramatical, presidente não foi inadequado ou descortês com Greta”, afirmou. “Ela é uma pirralha: é uma pessoa de pequena estatura e é uma criança.”

Em resposta à declaração de Bolsonaro, Greta trocou a descrição em sua conta oficial no Twitter para “pirralha”. A ativista já havia alterado seu perfil em outras ocasiões, quando foi ironizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e criticada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. 

No início da noite, ao falar novamente com jornalistas, Bolsonaro voltou a usar o termo para definir Greta. “Não quero nem discutir o assunto dessa pirralha, não”, disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada, logo após perguntar a idade da ativista. “Pelo amor de Deus. Vou dar ouvido (a ela)?”, declarou.

No domingo, Greta comentou o duplo assassinato de indígenas da etnia Guajajara após atentado a bala às margens da BR-226, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão (500 quilômetros ao sul da capital São Luís). “Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu a ativista, que compartilhou nas redes sociais uma notícia da Al-Jazira sobre as mortes ocorridas no Brasil.

Na segunda-feira, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, autorizou o uso da Força Nacional para atuar na Terra Indígena Cana Brava Guajajara, no Maranhão.

Ao falar sobre o assassinato dos indígenas, Bolsonaro afirmou ser contra crimes ambientais e que “qualquer morte” preocupa o governo. “Temos de cumprir a lei. Somos contra o desmatamento ilegal, somos contra queimada ilegal. Tudo o que for contra a lei, somos contra.” / COLABOROU EMILLY BEHNKE

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